Quando A Dor For Maior Que O Medo Da Mudança?

Quando A Dor For Maior Que O Medo Da Mudança
Frase retirada do texto: “Inibição, sintoma e ansiedade” (1926). ​ Quando uma mudança é proposta no ambiente de trabalho, quase sempre gera uma percepção de ameaça ao status quo da situação já organizada e segura da pessoa. Isso provoca um desequilíbrio interno, que, geralmente, deflagra reações imediatas, de modo a restabelecer o estado anterior de equilíbrio (FONSECA, 2000).

  1. Acima temos duas citações sobre um processo tão relevante para o sujeito como para as organizações, pois mudar faz parte da constituição do indivíduo;
  2. De acordo com Freud quando o processo de mudança é muito dolorido, para que ela ocorra muitas vezes é preciso perceber o quanto não está sendo vivido por não realizar a mudança necessária;

Assim como ocorre com os aspectos pessoais, no ambiente organizacional, as mudanças são inevitáveis em alguns momentos, todavia, a mesma poderá vir acompanhada de um processo desconfortável, porém necessário. Em relação ao tema Processo de Mudança Organizacional, analise as asserções abaixo: I.

O processo de Mudança Organizacional se faz necessário cada vez mais no contexto de trabalho contemporâneo, ocorrendo de modo exclusivamente positivo, aliado as transformações da cultura organizacional, assim como, base para a área de gestão estratégica de pessoas e satisfação no ambiente de trabalho.

PORQUE II. No contexto organizacional é comum ocorrer transformações desnecessárias e errôneas ao desenvolvimento organizacional, as quais promovem impactos muitas vezes negativos para as empresas. Sendo necessário então, considerar a possibilidade de que a resistência possa ser um sinal de que existe uma situação conflituosa anterior à sua ocorrência e que ela não é o problema em casos de mudanças mal concebidas.

  • Assinale a alternativa correta: Alternativas Alternativa 1: As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I;
  • Alternativa 2: As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I;

Alternativa 3: A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. Alternativa 4: A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. Alternativa 5: As asserções I e II são proposições falsas.

Quando a dor de não estar vivendo for maior do que o medo da mudança a pessoa muda Freud?

‘ Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda ‘. – Freud.

Como dizia Freud?

Qual a sua culpa na desordem?

‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’ (Freud) Ninguém nos decepciona. Nós é que criamos expectativas demais, e nos frustramos na mesma proporção Há uma frase que diz mais ou menos assim: ‘Nada é eterno.

Porque as pessoas têm medo de mudar?

Quando A Dor For Maior Que O Medo Da Mudança O medo de mudanças é nutrido a partir dos nossos pensamentos Time que está ganhando não se meche! “. Atire a primeira pedra quem nunca escutou essa frase alguma vez na vida. Por mais que essa frase pareça ser bem espirituosa e a transparecer a positividade de algo que está dando certo a algum tempo, ela também demonstra o medo de mudança. A mudança é algo natural e que faz parte do universo.

  1. Nesse sentido posso afirmar que se tem uma coisa que é certeza é que vivemos continuamente um processo de mudança;
  2. Você não deve se lembrar, mas nas primeiras fases da nossa infância nós choramos na maioria das vezes pelo medo da mudança;

O bebê quando para de amamentar na sua mãe e começa a comer os primeiros alimentos ele chora. Isso é medo. Os primeiros dias na escola, ela chora, faz birra em razão do medo de ser introduzido em uma nova realidade. É certo que esse medo nos acompanha durante todo o restante da nossa vida.

Diferente do bebe de colo e da criança ainda pequena que chora para demonstrar esse medo, ao amadurecermos nós passamos a reagir de outras formas perante o medo. A criança por mais medo que ela tenha de cair, ela sempre continua levantando.

A insistência em continuar tentando e tentando perante um medo é o que gera uma das maiores mudanças da vida, o caminhar. É nessa hora que eu te convido a pensar “se está bom assim, para que mudar?”. A estabilidade é seduzente para muitos, e em prol dela muitas pessoas optam por sacrificar todas as possibilidades de melhorias, o talento para inovar e ser criativo.

  1. Ao longo da minha carreira como coach tive contato com pessoas que tinham como filosofia de vida a seguinte frase “Quem trabalha muito, erra muito;
  2. Quem trabalha pouco, erra pouco;
  3. Quem não faz nada, não erra nada;

” Nas primeiras vezes que eu escutei essa frase, confesso que fiquei com um misto de sentimentos, sensações, entre elas “como é possível alguém pensar assim?!?!”; “qual o sentido da vida dessa pessoa???”; “quanto essa pessoa tem a evoluir!”. Esse espanto só me fez ter mais certeza que eu estava no caminho certo quando escolhi propagar a filosofia Coaching no Brasil e no mundo.

  1. Eu vi o quanto tinha a contribuir para que as pessoas pudessem superar crenças limitantes e passassem a enxergar as milhares de possibilidades de transformação e mudança que podemos ter a partir do momento que ressignificamos e honramos nossa história;

Ter medo das mudanças é normal. Eu também tenho. As pessoas têm medo da mudança por uma simples questão; a mudança é uma incógnita, ou seja, é algo desconhecido. Com toda certeza, por ser algo que pode acontecer, a pessoa ainda não viveu o que está por vir, por isso, a dúvida, a insegurança e o medo são sentimentos frequentes quando se fala em mudança.

  1. Mudanças são feitas de acertos e erros;
  2. Para Thomas Edison obter o sucesso inventando a lâmpada elétrica ele errou por centenas de vezes nos seus experimentos;
  3. Se lermos a biografia de vários outros estudiosos e pesquisadores Ele não desistiu perante as dificuldades;

É no momento que passamos pelas dificuldades que vemos como é importante ter foco e planejamento. Quando estamos em estado de foco, o medo que temos é superado pela ânsia de alcançar aquilo que tanto almejamos. Quando não temos foco e o medo ainda se faz presente, temos a tendência de nos apegar aos problemas, somos invadidos por pensamentos intrusivos.

Pensamentos intrusivos são aqueles que causam ansiedade, destroem a autoconfiança e fazem o indivíduo pensar em coisas e fatos ruins. Quem tem pensamentos intrusivos costuma sempre esperar que coisas ruins aconteçam, desconfia das pessoas, até mesmo, de pessoas próximas e queridas, e tende a ser inquieto e impaciente.

Uma das causas mais comuns para o surgimento dos pensamentos intrusivos é a ansiedade. Nesse contexto, os pensamentos intrusivos aumentam os medos e potencializam os demais sintomas do transtorno. É na constância e frequência que está o perigo dos pensamentos intrusivos, uma vez que eles aumentam os sintomas da ansiedade e podem levar ao desenvolvimento de transtornos emocionais ainda mais intensos.

O medo de mudanças é nutrido a partir dos nossos pensamentos. É a partir dos nossos pensamentos que são desencadeados uma série de estímulos para sentirmos medo ou não perante uma situação. É importantíssimo que estejamos atentos aos nossos pensamentos, e a forma como verbalizamos o que queremos.

Ficar atento aos nossos pensamentos é fácil? Sinceramente, não! É um exercício diário de conscientização, de autoconhecimento e, principalmente, é um anseio por produzir uma realidade diferente e melhor a cada dia. A teoria da Lei da Atração nos mostra que nossos pensamentos, conscientes e inconscientes, tem o poder de ditar nossa realidade.

Essencialmente essa teoria nos apresenta o poder dos pensamentos e como eles são importantes para vivermos uma vida plena e de bem-estar. Sendo assim, o pensamento positivo tem vários efeitos sobre nós, além de nos deixar mais motivados ele nos auxilia a enxergar a realidade a partir de uma nova perspectiva.

A partir do momento que permitimos que o medo, os sentimentos e pensamentos negativos controlem nossa vida, permitimos também que o pessimismo controle nossas ações. Vai ser o pensamento negativo o combustível para atrair as mudanças na sua vida, acarretando em uma complexa e sofrida Curva da Mudança.

  1. O estado de espírito pessimista é algo que deve ser veementemente quebrado e retirado da sua realidade se você deseja superar o medo das mudanças;
  2. Ao repudiar esse estado de espírito e passar por um processo de reflexão e autorreflexão é possível alcançar uma nova mentalidade e abertura para a positividade;

Para alterar o pensamento é importante estar atento aos momentos que você começar a sentir medo, que os sentimentos de preocupação e ansiedade começarem a fazer parte do seu cenário mental. Identificar o gatilho para esse pensamento que desencadeia vários sentimentos é um dos principais passos para mudar o seu mindset.

  • A identificação clara e consciente desses pensamentos faz com que se crie um quadro de perspectivas diferentes e muito além dos pontos de vistas negativos;
  • É nesse momento que temos o gancho para poder redirecionar a nossa forma de pensar e agir, bem como de condicionar nossa energia para os pontos positivos existentes nas mudanças e novos cenários que passamos a enxergar;

A identificação clara e consciente desses pensamentos faz com que se crie um quadro de perspectivas diferentes e muito além dos pontos de vistas negativos. É nesse momento que temos o gancho para poder redirecionar a nossa forma de pensar e agir, bem como de condicionar nossa energia para os pontos positivos existentes nas mudanças e novos cenários que passamos a enxergar.

Essencialmente essa teoria nos apresenta o poder dos pensamentos e como eles são importantes para vivermos uma vida plena e de bem-estar. Sendo assim, o pensamento positivo tem vários efeitos sobre nós, além de nos deixar mais motivados ele nos auxilia a enxergar a realidade a partir de uma nova perspectiva.

A partir do momento que permitimos que o medo, os sentimentos e pensamentos negativos controlem nossa vida, permitimos também que o pessimismo controle nossas ações. Vai ser o pensamento negativo o combustível para atrair as mudanças na sua vida, acarretando em uma complexa e sofrida Curva da Mudança.

  1. O estado de espírito pessimista é algo que deve ser veementemente quebrado e retirado da sua realidade se você deseja superar o medo das mudanças;
  2. Ao repudiar esse estado de espírito e passar por um processo de reflexão e autorreflexão é possível alcançar uma nova mentalidade e abertura para a positividade;

Para alterar o pensamento é importante estar atento aos momentos que você começar a sentir medo, que os sentimentos de preocupação e ansiedade começarem a fazer parte do seu cenário mental. Identificar o gatilho para esse pensamento que desencadeia vários sentimentos é um dos principais passos para mudar o seu mindset.

  • A identificação clara e consciente desses pensamentos faz com que se crie um quadro de perspectivas diferentes e muito além dos pontos de vistas negativos;
  • É nesse momento que temos o gancho para poder redirecionar a nossa forma de pensar e agir, bem como de condicionar nossa energia para os pontos positivos existentes nas mudanças e novos cenários que passamos a enxergar;

Nesse sentido, quero apresentar para vocês algumas dicas valiosas para superar os nossos pensamentos negativos, bem como, o nosso medo das mudanças. Leia cada uma dessas dicas com atenção e tente imaginar como seria a aplicação de cada uma delas na sua realidade. com/pt/g/solarseven Sobre o autor: José Roberto Marques é referência em Desenvolvimento Humano. Dedicou mais de 30 anos a fim de um propósito, o de fazer com que o ser humano seja capaz de atingir o seu Potencial Infinito! Para isso ele fundou o IBC, Instituto que é reconhecido internacionalmente. Professor convidado pela Universidade de Ohio e Palestrante da Brazil Conference, na Universidade de Harvard, JRM é responsável pela formação de mais de 50 mil Coaches através do PSC – Professional And Self Coaching, cujo os métodos são comprovados cientificamente através de estudo publicado pela UERJ.

Quem é o verdadeiro pai da Psicologia?

Wilhelm Wundt (1832-1920) é geralmente celebrado nos manuais de história da psicologia como o fundador da psicologia científica. Como data para esta fundação, é freqüentemente citado o ano de 1879, quando ele inaugurou o Laboratório de Psicologia Experimental na Universidade de Leipzig, supostamente o primeiro em seu gênero.

  • É preciso notar, no entanto, que a importância desse laboratório não reside exatamente no fato de ele ter sido o primeiro em seu gênero – pois realmente não o foi, visto que o próprio Wundt já tinha fundado em Heidelberg um laboratório para realizar seus experimentos psicológicos (Wundt, 1920) -, mas sim no fato de ele ter se transformado no primeiro centro internacional de formação de psicólogos;

Desde o início de suas atividades como diretor do Laboratório, Wundt orientou e treinou toda uma geração de psicólogos experimentais das mais diversas nacionalidades, que, de volta aos seus países de origem, procuraram fundar novos laboratórios de psicologia com base no Laboratório de Leipzig.

Com isso, o perfil do psicólogo experimental constituiu uma das primeiras formas de identidade na formação dos novos psicólogos. O objetivo do presente trabalho é esclarecer o contexto de fundação e o funcionamento deste Laboratório, de forma que sua relevância possa ser mais bem compreendida e avaliada.

Para tanto, vamos mostrar alguns aspectos sócio-culturais das universidades alemãs, ressaltando aí a inserção e as particularidades da Universidade de Leipzig na época de Wundt. Além disso, destacaremos as principais atividades realizadas no Laboratório juntamente com uma pequena lista contendo os nomes de alguns dos orientandos mais famosos de Wundt e seus países de origem.

Finalmente, serão discutidas algumas conseqüências históricas dessa formação oferecida por Wundt. A universidade alemã e a institucionalização da psicologia A universidade alemã surgiu como alternativa intermediária entre os modelos inglês e francês.

Embora tenha uma longa tradição, que se inicia com a fundação da Universidade de Heidelberg em 1385, foi somente a partir do século XVIII, com a penetração e disseminação da filosofia e da ciência modernas, que ela começou a assumir um papel fundamental na esfera cultural alemã.

  1. Foi, contudo, no século seguinte que ela alcançou seu apogeu, passando a exercer uma influência decisiva na vida da nação como um todo (Paulsen, 1895);
  2. Desde o início, a universidade alemã foi organizada em torno de quatro faculdades: de um lado, as chamadas faculdades superiores (teologia, medicina e direito), cujo objetivo central era formar profissionais em suas áreas respectivas; de outro, a faculdade inferior (filosofia), que também incluía as artes e as ciências naturais e tinha como meta principal servir de preparação para as demais faculdades;

Entretanto, com a fundação da Universidade de Berlim, em 1809 – que se deu no seio de amplas reformas educacionais na Prússia -, surge uma concepção renovada de universidade, que servirá de modelo para todas as instituições alemãs de ensino superior durante todo o século XIX e início do XX, exercendo uma profunda influência na vida intelectual e cultural da Alemanha.

Em primeiro lugar, a Faculdade Filosófica ( Philosophische Fakultät ) deixa de ser um mero apêndice das faculdades superiores e passa a ser o próprio coração da nova universidade, baseada no ideal de uma formação humanista integral ( Bildung ).

Além disso, trata-se de garantir não só o famoso princípio da liberdade de ensino ( Lehrfreiheit ), mas, sobretudo, o de vinculá-lo à pesquisa científica, criando uma indissociabilidade entre ensino e pesquisa e uma identidade entre o professor e o pesquisador (Ringer, 2000).

Com isso, as universidades alemãs deram um salto na frente das demais, tornando-se as instituições de ensino superior mais respeitadas do século XIX e atraindo para suas fileiras estudantes de todo o mundo.

É nesse contexto de amplas reformas na educação superior alemã que se dá a primeira institucionalização da psicologia, muito antes da existência do Laboratório de Wundt. Em 1824, o governo prussiano, após já ter decretado que a Faculdade Filosófica seria responsável também pela formação de um profissional – o professor das escolas estatais ( Gymnasium ) – e instituído como requisito obrigatório um exame estatal, incluiu entre as disciplinas obrigatórias para este último a “psicologia”, pensada como fundamento para a ação pedagógica dos novos professores ginasiais.

A idéia era a de que eles deveriam ter um conhecimento elementar dos fatores psicológicos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem (Gundlach, 2004). Isso significa que, pelo menos no caso alemão, foi pela via do ensino que a psicologia alcançou primeiramente sua institucionalização universitária, sem que houvesse aí qualquer vínculo necessário com a realização de pesquisas empíricas.

Ainda nesse cenário das reformas educacionais, há, contudo, um segundo fator fundamental na dinâmica institucional das universidades alemãs, que nos leva à segunda institucionalização da psicologia – desta vez, o surgimento e o estabelecimento de investigações experimentais da vida psíquica.

Retomando aquela orientação primária da educação superior para a pesquisa científica, não é de se estranhar que em todas as áreas surgisse um impulso para ampliar cada vez mais os limites do conhecimento humano.

Mais especificamente, é preciso levar em consideração a criação dos Institutos de Pesquisa ( Forschungsinstitute ) com seus respectivos laboratórios, que introduziram a pesquisa básica experimental na universidade alemã e obtiveram enorme sucesso tanto na Faculdade de Medicina quanto na de Filosofia (na área das ciências naturais).

  • Entre os diversos centros de pesquisa criados no século XIX, dois merecem destaque, devido à sua contribuição para o desenvolvimento da psicologia: o de Johannes Muller (1801-1858), na Universidade de Berlim, e o de Hermann von Helmholtz (1821-1894), na Universidade de Heidelberg;

Ambos tornaram-se não só modelos da nova fisiologia que começava a surgir, mas também um dos principais estímulos para a expansão das pesquisas sobre a percepção sensorial, atraindo um enorme número de pesquisadores de várias partes da Alemanha e do mundo, e culminando na formação de uma “psicologia experimental” como área de investigação própria (Dobson & Bruce, 1972; Bringmann, Bringmann, & Ungerer, 1980).

Levando em consideração os dois fatores acima expostos, é possível compreender por que a institucionalização e o rápido progresso da psicologia se deram primeiro na Alemanha. Foram as inovações introduzidas nas universidades alemãs, sobretudo a partir do século XIX, juntamente com a formação de um ideal de educação universal, que deram à nação alemã uma posição de destaque na cultura ocidental moderna.

Wundt e a fundação do Laboratório de Psicologia em Leipzig A Universidade de Leipzig é uma das mais antigas universidades alemãs e européias. Fundada em 1409, goza até hoje de grande prestígio, embora isso de forma alguma signifique que na sua trajetória não tenha havido períodos difíceis.

Mas foi no século XIX que ela viveu seu grande esplendor, especialmente na sua segunda metade, quando a vida acadêmica e científica teve um grande desenvolvimento (Blecher & Wiemers, 2004). Antes de chegar a Leipzig, em 1875, Wundt já tinha passado por quatro universidades: Tübingen, onde começou a estudar medicina; Heidelberg, onde se formou e depois lecionou por vários anos; Berlin, onde foi estudar fisiologia, logo após ter se formado; e Zurique, onde assumiu em 1874, pela primeira vez, um cargo de professor ordinário.

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Isso significa que ele já havia trabalhado em dois dos mais importantes institutos de pesquisa experimental do século XIX: em Berlin, sob a orientação de Johannes Müller e de Emil Du Bois-Reymond (1818-1896), e em Heidelberg, como assistente de Helmholtz (Wundt, 1920).

Não foi, contudo, na Faculdade de Medicina que Wundt se tornou professor ordinário, mas sim na Faculdade de Filosofia: primeiro em Zurique e depois em Leipzig. Para se entender a nomeação de Wundt, é preciso não só considerar o impulso geral da pesquisa científica nas universidades alemãs, mas também a situação específica da Faculdade Filosófica em Leipzig.

A cadeira de Filosofia, que estava vaga desde 1866, foi oferecida ao renomado filósofo alemão Kuno Fischer (1824-1907), que estava em Heidelberg e não aceitou o convite. Decidiu-se, então, dividir a cadeira em duas partes: uma voltada para a tradição histórico-filológica e a outra direcionada para a relação da filosofia com as ciências naturais.

E, ao invés de um grande nome, resolveram contratar dois professores jovens e relativamente desconhecidos. Foi assim, quase por acaso, que Wundt – indicado e apoiado com entusiasmo pelo astrônomo Friedrich Zöllner (1834-1882), que o havia conhecido em Zurique – assumiu a parte da filosofia mais ligada às ciências naturais (Wundt, 1920; Kossakowski, 1966; Bringmann, Bringmann, & Ungerer, 1980).

A fundação do Laboratório de Psicologia Experimental faz parte dos esforços de Wundt para, de um lado, dar continuidade ao programa de pesquisa que ele tinha iniciado em Heidelberg; de outro, consolidar seu projeto de uma psicologia científica livre de especulações metafísicas a priori.

Como vimos acima, Wundt chegou em Leipzig, em 1875, já com uma longa experiência em laboratórios de pesquisa experimental. E muito embora tenha sido colocada à sua disposição, desde o início, uma pequena sala para que ele pudesse guardar seus aparelhos e instrumentos experimentais, foi somente a partir do segundo semestre de 1879, como ele próprio relata, que alguns estudantes começaram a realizar ali seus primeiros experimentos (Wundt, 1909).

Além disso, apenas quatro anos mais tarde é que o Instituto de Psicologia Experimental foi oficialmente reconhecido e listado entre os demais institutos daquela universidade, um fato de forma alguma incomum na tradição universitária alemã (Bringmann & Ungerer, 1980).

A organização e o funcionamento do laboratório obedeciam ao plano de trabalho esboçado por Wundt. As atividades eram de dois tipos: de um lado, um curso introdutório para os novatos, com duração de um semestre, cujo objetivo era familiarizá-los com os instrumentos, métodos e técnicas experimentais; de outro, as atividades especiais dos membros antigos.

No início de cada novo semestre, Wundt se reunia com esses membros para fixar os temas a serem investigados, levando em consideração o interesse de cada um pelos respectivos assuntos. Em seguida, os participantes eram divididos em grupos, cada grupo ficando responsável por um tema.

Mas a adesão a um grupo era voluntária e cada membro podia participar de mais de um grupo. Para cada um dos grupos assim constituídos, era designado um líder – em geral um membro mais antigo do instituto, que já tinha mostrado sua capacidade em semestres anteriores -, cuja função era preparar os experimentos e, sempre que possível, redigir o relato final para publicação.

Para tanto, Wundt criou um periódico especial, inicialmente chamado Estudos Filosóficos (1883-1903) e, posteriormente, Estudos Psicológicos (1905-1918). Por fim, a abrangência das investigações realizadas no laboratório pode ser facilmente apreendida, se levarmos em conta suas principais áreas de pesquisa: intensidade das sensações, sensações táteis, psicologia do som, sensações de luz, gustação, olfação, percepções espaciais, curso das representações, estética experimental, processos atencionais, sentimentos e afetos, processos de associação e memória, etc.

  1. (Wundt, 1909) Grande parte das investigações realizadas pelos estudantes de Wundt estava atrelada a teses de doutoramento que ele orientava;
  2. De acordo com o levantamento aproximado de Tinker (1932), a partir da fundação do laboratório, o número de teses psicológicas orientadas por Wundt foi maior do que as puramente filosóficas;

Mas havia também pessoas que estudaram sem obter o referido título ou que queriam apenas conhecer mais de perto o trabalho ali realizado, sem falar nos inúmeros visitantes que lá estiveram. Além de estudantes alemães, Wundt atraiu para Leipzig uma enorme quantidade de estrangeiros, que vinham das mais variadas partes da Europa e do mundo.

É isso que confere a seu laboratório o título de “primeiro centro internacional de formação de psicólogos”. De fato, ele orientou e treinou toda uma geração de psicólogos experimentais, que, de volta aos seus países de origem, fundaram novos laboratórios de psicologia, disseminando, de certa forma, o modelo wundtiano.

Entre seus mais ilustres estudantes, estão figuras como Oswald Külpe (1862-1915), Emil Kraepelin (1856-1926), Hugo Münsterberg (1863-1916), Edward Titchener (1867-1927), James McKeen Cattell (1860-1944), Vladimir Bekhterev (1857-1927), James Rowland Angell (1869-1949) e Charles Spearman (1863-1945), muitos dos quais relataram posteriormente seu respeito e admiração em relação ao mestre (Baldwin, 1921; Titchener, 1921; Sokal, 1980).

Wundt e a psicologia do Século XX O sucesso e o impacto de Wundt na expansão da psicologia parecem hoje inegáveis. Diversos tipos de estudos, utilizando diferentes metodologias, têm revelado a enorme extensão de sua influência, que abrange desde os EUA até países com pouca tradição acadêmica (Anderson, 1980; Bejat, 1980; Marshall, 1980; Misiak, 1980; Miyakawa, 1980; Piryov, 1980; Popplestone & McPherson, 1980).

Mas se esse foi então o caso, por que a psicologia do século XX não foi acentuadamente wundtiana em suas feições gerais? Antes de responder a essa questão, alguns esclarecimentos precisam ser feitos. Em primeiro lugar, é preciso notar que só em vida Wundt foi verdadeiramente influente.

Logo após a sua morte, esta influência declinou rapidamente até chegar ao abandono e ao esquecimento (Brozek, 1980; Rieber, 2001). Em segundo lugar, nem mesmo no século XIX sua influência foi absoluta, pois havia muitos programas de pesquisa rivais, como os de Hermann Ebbinghaus (1850-1909), George Elias Muller (1850-1934), Oswald Külpe, entre outros (Danziger, 1979; Haupt, 2001; Benetka, 2002).

Além disso, sua influência precisa ser mais bem delimitada. Em outras palavras, o seu laboratório e, sobretudo, os aparelhos e técnicas experimentais foram assimilados e reproduzidos ou adaptados às condições específicas de cada país, mas não o seu sistema teórico como um todo, que era bem mais abrangente e complexo do que era transmitido nas atividades experimentais.

Como procuramos demonstrar alhures (Araujo, 2010), o projeto psicológico de Wundt está fundamentado em pressupostos filosóficos e é parte integrante de seu projeto filosófico – que tem como objetivo último a formulação de uma nova Weltanschauung (Wundt, 1889) – só adquirindo seu pleno significado no interior do mesmo.

A psicologia é apenas uma das disciplinas científicas que se ocupam de uma parte da experiência (a experiência imediata) e serve de complemento às ciências da natureza, que se ocupam da experiência mediata. Nesse contexto, a psicologia tem como tarefa investigar de forma complementar os processos psicológicos individuais (psicologia experimental) e os produtos culturais coletivos – como a linguagem, os mitos e a religião (psicologia dos povos ou Völkerpsychologie ) – para que a mente possa ser compreendida em todos os seus aspectos.

Tomada isoladamente, a psicologia experimental perde a sua significação mais profunda. Ora, foi exatamente isso o que aconteceu na maior parte das vezes com os estudantes de Wundt, especialmente os que fundaram os laboratórios americanos.

Eles apreenderam e/ou se preocuparam apenas com os métodos e técnicas experimentais, deixando de lado o grandioso sistema de pensamento que os iluminava. Com isso, toda a parte da relação entre psicologia e cultura (psicologia dos povos) e de sua filosofia foi ou diminuída ou explicitamente abandonada, resultando na imagem simplificada de Wundt como experimentador.

A partir do que foi dito acima, podemos apresentar ao menos uma resposta parcial para a questão anteriormente formulada. A psicologia do século XX não foi wundtiana em suas feições gerais simplesmente porque o projeto psicológico de Wundt não foi levado adiante e tomado como base para futuras investigações, mas sim mutilado e adaptado a interesses específicos bem diversos de cada um dos seus estudantes.

Ele não deixou discípulos e nem chegou a fundar uma escola de psicologia propriamente dita. Em outras palavras, o sistema de Wundt como um todo não foi nem discutido nem refutado pelos psicólogos do século XX, mas simplesmente abandonado e esquecido. Referências Anderson, R.

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O que é ser uma pessoa fálica?

Resumo:  Diante da evolução social, as mulheres têm ocupado, cada vez mais, os espaços que eram considerados masculinos perante a sociedade antiga, na qual as mulheres não possuíam voz para lutarem por seus direitos. Com o advento do capitalismo, as mulheres invadem o mundo masculino e acabam com a separação entre o mundo privado e o público; esta simples mudança traz as mais profundas consequências, como a cisão da ideia de que somente o pai mandava e a mãe, obedecia.

Essas mudanças tendem a influenciar a identidade feminina. Para que a identidade feminina seja estabelecida, faz-se necessário que tenha como base a formação de uma personalidade primitiva. Tais processos de desenvolvimento do psiquismo vão se somar às grandes transformações sociais, nas quais as mulheres contemporâneas vêem assumindo cada vez mais atividades profissionais que exigem algum posicionamento e a tomada de decisões importantes; o que contribui para um novo perfil de identidade e personalidade feminina, no qual muitas mulheres além de serem mães de família são também profissionais de sucesso.

Assim, questiona-se, se o desenvolvimento primitivo da personalidade influencia a formação de uma estrutura fálica nas mulheres e quais seriam as consequências para a saúde psíquica dessas mulheres que desenvolvem uma estrutura de personalidade fálica.

O psicanalista Gonçalves (2006 apud Vasconcelos, 2008) define mulher com estrutura de personalidade fálica, mais conhecida, como mulheres fálicas, como sendo uma linguagem aproximativa para qualificar uma mulher com traços de caráter pretensamente masculinos, autoritária, mas sem saber quais são exatamente as suas fantasias subjacentes; ainda, segundo o autor, é mais comum encontrar esse “tipo” de mulher em profissões como empresárias e políticas.

Para a realização deste projeto, buscar-se-á literaturas nacionais e internacionais da área da psicanálise, através das bases de dados eletrônicas como artigos científicos e livros, como alguns volumes das obras completas de Freud e também das obras de Melanie Klein.

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O que Freud defende?

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Quando A Dor For Maior Que O Medo Da Mudança Freud (Foto: Wikimedia Commons) Nascido em 6 de maio de 1856 na Áustria, o neurologista Sigmund Freud é considerado o “fundador” da psicanálise e foi responsável por popularizar o método de tratamento psicológico por meio do diálogo entre paciente e médico, tão comum hoje em dia. Muitas de suas teorias envolviam mecanismos da mente inconsciente, como a interpretação de sonhos , e dividiram os estudiosos da época, embora tenham contribuído para desenvolver técnicas terapêuticas baseadas principalmente na análise clínica. Entre os artigos publicados por Freud, alguns desvendaram e transformaram a visão da psicologia sobre a sexualidade , o desenvolvimento da mente humana e o significado de diversos comportamentos inconscientemente “fabricados” durante a infância.

Entenda os principais conceitos e estudos deixados pelo psicanalista: 1 – Nossa sexualidade se desenvolve por vários estágios durante a infância De acordo com a teoria de desenvolvimento psicossexual de Freud, as crianças percorrem várias fases de amadurecimento centradas em zonas erógenas.

Se completasse todos esses períodos, o neurologista acreditava que o indivíduo seria capaz de desenvolver uma personalidade saudável, mas a fixação em qualquer um dos estágios poderia atrapalhar a evolução até a vida adulta. Cinco fases determinam essas transições: oral, anal, fálico, latência e genital.

No primeiro ano de vida, a boca é o objeto central de prazer , razão pela qual os bebês nascem com um “reflexo de sucção” e o instinto de mamar no seio da mãe — se essa necessidade não for preenchida, a criança pode crescer com hábitos como roer unhas ou chupar o dedo; até os 3 anos, as crianças passam a exercer o controle sobre suas necessidades fisiológicas e qualquer desenvolvimento impróprio dessa fase pode resultar em uma criança excessivamente organizada e preocupada com a ordem; entre 3 e 6 anos, surge o prazer concentrado nos genitais e, com ele, o chamado Complexo de Édipo, que envolve o desejo de um menino por sua mãe e sua vontade de substituir seu pai, visto como um rival; já no período de latência, os instintos sexuais costumam ser reprimidos e, a partir dos 12 anos, a fase final leva o indivíduo a direcionar seu interesse para membros do sexo oposto.

Muitos aspectos dessa teoria, no entanto, já foram substituídos por conceitos mais modernos da psicanálise. 2 – A psique humana é dividida em três partes Em alguns de seus trabalhos propostos durante a década de 1920, Freud sugeriu que a mente humana é dividida entre Id, Ego e Superego: o primeiro representa o inconsciente completo, parte impulsiva da psique que, durante a infância, proporciona apenas as capacidades básicas.

O Id citado pelo psicanalista é formado pelo princípio do prazer, que busca preencher vontades sem considerar qualquer aspecto da realidade. O Ego observa que nem sempre nosso Id é capaz de obter aquilo que deseja, já que essa expectativa pode por vezes causar problemas.

Em outras palavras, nosso Ego existe para sempre levar a realidade em consideração. Também é papel do Ego ponderar as exigências do Id e o aspecto autocrítico do Superego, que surge a partir dos 5 anos e compõe a parte moral da mente humana. 3 – A maioria das emoções e impulsos humanos está “escondida” no inconsciente O conceito da inconsciência foi essencial para a visão de Freud sobre a mente humana.

Ele acreditava que boa parte daquilo que vivemos — emoções, impulsos e crenças — surge a partir de nosso inconsciente e não é visível pela mente consciente. Lembranças traumáticas, por exemplo, ficam “bloqueadas” na memória de um indivíduo, mas continuam ativas sem sabermos e podem reaparecer em certas circunstâncias.

Já a mente consciente, segundo Freud, define pouco sobre nossa personalidade. Um terceiro nível da psique foi chamado de subconsciente ou pré-consciente: parte da mente que recupera informações das quais nem sempre nos lembramos, mas que podemos acessar quando necessário.

4 – Os sonhos são uma representação de desejos reprimidos Publicada em 1899, sua obra A Interpretação dos Sonhos abordou os processos conscientes e inconscientes dos sonhos e representa o início da teoria sobre o “inconsciente dinâmico”, desenvolvido ainda durante a infância.

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Freud argumentava que sonhos funcionam como o cumprimento de um desejo , muitas vezes reprimido, e propôs o “fenômeno de condensação”, ideia de que um simples símbolo ou imagem visto no sonho poderia carregar vários significados e vontades ao mesmo tempo.

Sua análise, apesar de ter sido bastante criticada, forneceu modelos para o tratamento de sintomas e mecanismos relacionados à repressão e a comportamentos compulsivos. 5 – O luto e a melancolia são duas reações diferentes que envolvem alguma perda Em um artigo publicado em 1917, Freud explicou a diferença na origem das sensações causadas pelo luto e pela melancolia, dois tipos de resposta a alguma perda.

O luto representa o sofrimento de perder algum familiar ou pessoa amada e seu processo ocorre no consciente. No caso da melancolia, o indivíduo não é capaz de identificar facilmente a razão de sua dor, que ocorre em grande parte na mente inconsciente. Enquanto o luto é considerado um fenômeno saudável e necessário para nos recuperarmos de alguma perda, a melancolia é uma patologia e envolve a perda de autoestima, sem aparentemente envolver a perda de algo concreto ou físico.

Qual a sua responsabilidade na desordem que você se queixa Freud?

‘ QUAL SUA RESPONSABILIDADE NA DESORDEM DA QUAL VOCÊ SE QUEIXA?’ Esta frase foi mencionada por Sigmund Freud (1856-1939), pai da psicanálise, a uma paciente com a intenção de propor reflexões de que aquilo que ela se queixava, teria de alguma forma, sua permissão, sua responsabilidade.

Como desenvolver a auto responsabilidade?

Quanto a de você naquilo que você odeia?

Cálice Vazio on Instagram: ” Quanto de você existe naquilo que você odeia?’. Sigmund Freud (1856 – 1939). #filosofia #pensadores #sigmundfreud #frasesbrasil’.

Por que resistimos a mudança?

Nós achamos que devemos melhorar nossa situação atual e nós mesmos porque estamos insatisfeitos (pelo menos um pouco) com como as coisas estão. Nós temos um instinto de melhorar, melhorar. Então nós procuramos mudar – se exercitar mais, comer melhor, ler mais, ser mais consciente, fazer trabalhos mais produtivos, ser mais disciplinado.

  1. E ainda assim, resistimos às mudanças;
  2. Por que isso? O que está havendo? O problema é que somos apegados à ilusão da solidez;
  3. Deixe-me explicar;
  4. O que acontece é que todos nós queremos que as coisas sejam sólidas em nossas vidas: queremos um salário sólido, uma rotina de trabalho, uma rotina diária;

Nós queremos uma versão sólida de nós mesmos, uma versão que não seja tão afetada pelos ventos do capricho. Nós queremos que todos ao nosso redor sejam sólidos, dependentes, estáveis, do jeito que sós queremos. Queremos que nossos relacionamentos sejam sólidos, confiáveis.

Queremos que nossa saúde seja sólida, não estando sujeita a ferimentos, depressão ou doença. Claro, nossas mentes racionais sabem que isso nem sempre possível, mas ainda assim, é isso que queremos. Solidez.

Infelizmente, estamos atrás de algo sólido… em um rio. Não há solidez, apenas fluidez. Pense em si mesmo por um segundo: você poderia se prender a uma rotina perfeita, sem mudança, por um ano inteiro? Não, provavelmente não – a maioria de nós não pode fazer isso por um dia.

Por que isso? Por que não conseguimos apenas fazer um plano e nos ater a ele? É porque nossas mentes não são máquinas que seguem um programa fixo – na verdade, são complexas, em mudança constante, constantemente reagindo a coisas novas, constantemente fazendo novas conexões, são fluidas, dinâmicas, sempre se transformando.

Não podemos nos moldar em uma forma sólida de nossa escolha assim como não podemos encher a mão de água e tentar moldar uma forma sólida. Você pode perguntar: e se congelarmos a água para torná-la sólida? Imaginemos seus pensamentos: pegue um único pensamento, o próximo que você tiver, e o congele.

Faça com que ele permaneça na sua mente, sem mudar, sem ir para lugar algum, sem pular para um novo pensamento. Você não consegue, consegue? Eu com certeza não consigo. Nós não controlamos nossos pensamentos.

Nós não conseguimos fazer com que eles fiquem parados. Nós não podemos forçá-los a seguirem um padrão que queremos. É como tentar controlar o vento. Nós somos fluidos, como a água. Não sólidos, como o vento. E ainda assim queremos ser sólidos. Almejamos a solidez, apesar da nossa fluidez.

Nós resistimos às nossas melhorias, porque mesmo que planejemos perfeitamente nosso sólido progresso, nunca seguiremos este plano perfeitamente sólido. Nós escorremos pela forma que nos criamos, achamos as rachaduras e vazamos por elas.

Tudo ao nosso redor também não é sólido. Todas as outras pessoas são tão fluidas como nós somos. Queremos que tudo e todos sejam sólidos, mas eles não são. Então lutamos contra isso, porque nada é do jeito que queremos que seja. Nada é estável, nada segue nossos ideais, ninguém é do jeito que esperemos que eles sejam.

Ficamos frustrados, ansiosos, preocupados, bravos, tristes, com medo. Deixando a solidez de lado, abraçando a fluidez Então qual a solução? Como podemos melhorar? Como podemos abandonar as frustrações e medos neste mundo sólido? Comece por aceitar a fluidez.

Repare nos seus pensamentos, seus medos, sua dor, e realmente os examine. Repare na sua natureza. Entenda que mesmo se a dificuldade que você está enfrentando agora parecer sólida, ela é na verdade vapor, e irá dissipar em algum momento. Nenhum dos problemas ao nosso redor são grandes assim, quando percebemos que são apenas uma névoa passageira.

Dessa maneira, nós podemos simplesmente sentar dentro da névoa e sorrir. Aproveitar esse momento coberto por névoa. Quando planejamos realizar um hábito todos os dias, e fracassamos… observe que falhamos por conta de nossa fluidez.

Examine a sua fluidez. Seja curioso a respeito disso. Deite-se sobre as águas gentis e fluidas de si mesmo e relaxe. Está tudo bem. A fluidez de nós mesmo só é algo “ruim” quando queremos solidez. Quando você sentir dificuldades, observe como está almejando solidez.

Como lidar com o medo de mudança?

Como lidar com o medo de coisas novas?

Dialogar e expor a angústia para outras pessoas é importante para compreender o que a mudança pode oferecer e como lidar com ela. Converse com pessoas que já passaram por situações semelhantes e escute suas experiências. Isso lhe ajudará a clarear as ideias e traçar planos de atuação.

Quando a dor do outro não lhe afeta quem precisa de ajuda é você?

Frases sobre empatia para escutar mais e julgar menos – Empatia é o encontro de emoções formando um elo de compreensão. A sua dor é a minha dor. Empatia é quando a gente deixa de ser egoísta, desfoca o seu umbigo e sente aquilo que o outro está sentindo. O mundo seria um lugar melhor se as pessoas se perguntassem com mais frequência: e se fosse comigo? Antes de emitir juízo ou opinião sobre uma pessoa, coloque-se no lugar dela. Isso se chama empatia. Empatia: pra usar sempre que precisar. Todas as almas nobres têm como ponto comum a compaixão. Antes de falar qualquer coisa, coloque-se no lugar de quem irá ouvir. Empatia é o laço invisível que nos une. Beba uma boa dose de empatia e esteja pronto(a) para viver em grupo. Que a empatia vire rotina. Se colocar no lugar do outro é uma qualidade que nem todos têm, mas que deveria. Empatia não é sentir exatamente o que a outra pessoa sente, mas é saber se colocar naquele lugar. Quando escutamos uma pessoa, fazemos com que ela exista. Quando a dor do outro não lhe afeta, quem precisa de ajuda é você. Antes de dizer algo, pense em como você se sentiria se alguém te dissesse a mesma coisa. O mundo precisa de mais empatia. Entender não é concordar. Empatia é brotar em um peito que não é seu. A empatia é revolucionária. O simples ato de se importar cria uma onda infinita de bem que volta para você. Quando alguém julgar o seu caminho, empreste a ele os seus sapatos. A dor do outro merece o seu respeito. Sororidade é a união e aliança entre mulheres, baseada na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. A coisa mais bonita que você pode fazer por alguém é poupá-lo do seu julgamento, que a propósito, só fala sobre você mesmo. Entre o eu e o você, existe o nós. Em um mundo onde você pode ser o que quiser, escolha ser empático(a). Se a dor não é sua, não chame de drama. Você pratica a empatia que posta? Quando todos forem mal, ouse ser bondade. Seja uma pessoa que levanta outras pessoas. Já tem gente demais querendo derrubar. Se uma palavra pode mudar tudo, imagine uma atitude. Seja sempre gentil, a gente nunca sabe pelo que o outro está passando. Quando a gente não sabe se colocar no lugar do outro, a vida coloca a gente lá pra aprender na prática. Pregar o bem em tempos de tanto ódio é revolucionário. A essência da empatia é o amor e a prática, a solidariedade. Empatia: a difícil e enriquecedora tarefa de colocarmos o sapato alheio. Não faça com os outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você. Cada um sabe exatamente o quanto pesa a sua dor. É fácil criticar quando não pisamos nas mesmas pedras. Julgue menos, escute mais. Exercitar a empatia é um caminho para que tenhamos um mundo com mais amor. Que tal enviar também algumas mensagens amorosas para aquela pessoa querida? Temos certeza que ela vai adorar!.

O que é recordar repetir é elaborar?

Recordar, repetir e elaborar Em seu primoroso trabalho “Recordar, repetir e elaborar”, no qual descreve fenômenos que estão na base do pensamento psicanalítico, Freud (1914/1980) observa que o paciente repete no relacionamento com o analista comportamentos e atitudes característicos de experiências iniciais.

Ele assinala que “o paciente não recorda coisa alguma do que esqueceu ou reprimiu, mas expressa-o pela atuação ou atua-o. Ele o reproduz não como lembrança, mas como ação; repete-o , sem, naturalmente saber o que está repetindo” (p.

196). A análise permite com que fantasias e pensamentos que nunca foram conscientes também possam ser rememorados , ou seja, cria condições para representações simbólicas e compreensões de seus significados. Na análise, o paciente desloca para a figura do analista sentimentos, pensamentos e comportamentos originalmente experenciados em relação a pessoas significativas de sua infância.

A transferência, como palco privilegiado onde são encenadas as repetições, promove um ponto de encontro permanente entre o passado do indivíduo e o presente, com suas semelhanças e diferenças. Cada vez mais tem se evidenciado a importância dos primeiros tempos de vida da pessoa na formação de seu psiquismo.

Nesta fase são erigidos os principais pilares de seu mundo psíquico e afetivo. A experiência clínica mostra que expressões de uma fase préverbal da vida ocorrem na relação analítica, especialmente em pessoas que passaram por dificuldades importantes nesta fase.

Muitas vezes estão associadas a momentos importantes de regressão na análise e dependem de um observador sensível a elas para que se manifestem e sejam compreendidas. Em algumas pessoas, temos a impressão de que pontos essenciais não foram construídos, e houve um esforço de sobrevivência que pode ser comparado à construção de uma casa disposta por cima de grandes vácuos.

Nesses casos, a análise parece ter a função de ajudar o paciente a construir algo que deveria estar lá, mas está dramaticamente ausente. Poderíamos dizer que em tais pessoas há também algo que se repete e é atuado na situação analítica? O que ainda não foi construído pode ser rememorado? Pretendo, neste trabalho, refletir sobre estas questões que me parecem essenciais, a partir da discussão do material clínico obtido na análise de Raquel, uma menina adotada.

  1. Abordarei também pontos que estão relacionados ao universo da adoção e que muitas vezes estão na base das dificuldades apresentadas por pais e filhos adotivos;
  2. Raquel Os pais de Raquel me procuraram, num estado de desespero, quando ela estava com 12 anos de idade;

Relataram que a filha estava apresentando uma série de comportamentos antissociais, como roubos, mentiras e falsificações. Outra queixa dos pais era o fato de ser bastante gorda. Raquel comia com extrema voracidade, especialmente doces e alimentos que engordavam.

Nas nossas conversas iniciais, os pais da paciente pareciam estar decididos a colocála num colégio interno. Achavam que “ela não tinha mais jeito”. Apesar disso, procuraram a minha ajuda, o que mostrava que ainda havia uma esperança de reencontro com a filha, embora tênue.

A relação de Raquel com a mãe era especialmente difícil. Esta última falava da filha com muita animosidade. Parecia não “suportá-la”. O pai era mais afetuoso e próximo da filha, mas também parecia perdido com o estado das coisas. Creio que havia um ponto bastante importante como pano de fundo inconsciente de tamanho desencontro: Raquel era mulata escura, enquanto que seus pais e irmã menor eram loiros.

A diferença física gritante parecia potencializar as diferenças entre ela e os integrantes da família. Os pais procuravam reprimir, sem sucesso, a decepção por terem uma filha com uma cor de pele associada intimamente a uma situação desprivilegiada e pejorativa.

A mãe de Raquel queixou-se com raiva de que a filha “vivia no quarto da empregada”, o que evidenciava a ligação associativa que era feita com a cor de pele da menina. Inconscientemente, a mãe sentia que Raquel mais parecia filha da empregada do que sua própria filha.

O estudo da dinâmica psicológica de famílias adotivas aponta evidências de que grande parte dos pais e filhos adotivos quer se parecer fisicamente. Desta forma, podem manter a ilusão de que não há um hiato biológico entre eles (Levinzon, 1999; 2004).

Do ponto de vista dos pais, há um anseio de se perpetuar por meio de sua descendência biológica, como forma de elaborar a percepção da transitoriedade da vida. Muitas vezes há dificuldades inconscientes em relação à esterilidade do casal ou de um de seus integrantes, e diferenças físicas gritantes funcionam como um lembrete constante de que houve um fracasso na função reprodutiva.

Do ponto de vista da criança, a disparidade na aparência física intensifica suas dúvidas quanto à solidez do elo com os pais adotivos. É como se, não sendo parecida com eles, não houvesse garantias de que eles a “amariam para sempre”.

Além disso, a diferença física também funciona para a criança adotada como uma marca inexorável de que houve “uma outra mãe e um outro pai”, perdidos no passado, e envoltos em um mistério assustador sobre sua origem. Nestes casos, pode-se falar em intensificação de uma ferida narcísica tanto no que diz respeito aos pais quanto à criança adotiva.

Os pais de Raquel decidiram adotar uma criança depois de tentarem por muitos anos ter um filho biológico. Parecia-me haver, especialmente por parte da mãe, uma situação de uma má elaboração da impossibilidade de gerar filhos, em decorrência da condição de esterilidade do marido.

Raquel foi adotada com 1 mês de vida. Até então foi cuidada por pessoas intermediárias. Era um bebê saudável, que não dava trabalho. Recebeu muita atenção dos pais, até que adotaram outra menina dois anos depois, que ficou muito doente no primeiro ano de vida.

Este evento parece que foi um divisor de águas para Raquel, que passou a ficar com muitos ciúmes da irmã, loirinha como os pais. Raquel soube desde pequena que era adotada. Seus pais lhe disseram que sua mãe biológica havia morrido no seu parto.

Acreditavam que dessa forma estavam protegendo sua filha de sofrimento, de fantasias de ser abandonada. Além disso, evitavam com que ela quisesse procurar a família biológica quando crescesse. Era uma forma de “colocar uma pedra sobre esta história”. Na realidade, havia um medo inconsciente de perdê-la, como se a ligação entre pais e filha não tivesse consistência, por não apresentar um elo consanguíneo.

Encontramos na história de Raquel fatores potencialmente patogênicos no que se refere às condições boas de desenvolvimento de uma criança. A paciente sofreu um trauma precoce ao ser separada de sua mãe biológica por volta de seu nascimento.

Sabemos que, já no ventre da mãe, a criança tem um registro sensorial do cheiro, do andar, da respiração da genitora, e a separação precoce instaura um hiato afetivo no momento em que a criança não tem um aparelho psíquico capaz de compreender e processar o que se passou.

Em seguida, nesta fase tão crucial de vida, a bebê esteve entregue a “pessoas intermediárias”, elementos anônimos e passageiros, quando precisava de um cuidado especial e profundo do ponto de vista afetivo.

Felizmente, encontrou um lar adotivo, e pais que se ocuparam dela, apesar das decepções relacionadas com a esterilidade e as diferenças físicas. Aos dois anos de idade, a perda da atenção dos pais em função da séria doença da irmã funcionou como outro trauma, que poderia ser comparado ao que Khan (1977) denominou “trauma cumulativo”.

Este autor enfatiza a função da mãe como escudo protetor, que constitui o ambiente normal adequado às necessidades primitivas do bebê. Penso que a dificuldade que os pais de Raquel, e especialmente a mãe, passaram a ter na forma de lidar com ela diante dos comportamentos mais impetuosos e turbulentos que passou a apresentar, continuou a sucessão de falhas ambientais a que estava sujeita.

Raquel demonstrava, no entanto, por meio dos comportamentos antissociais, a esperança de encontrar condições ambientais adequadas às suas necessidades. Como afirma Winnicott (1956/1988b), a privação de necessidades essenciais da criança pode se manifestar por comportamentos antissociais como roubo e destrutividade.

Com seus sintomas, Raquel “amolava” os pais forçando-os a se encarregar de seu manejo. Havia nas suas reações a expressão de grande carência afetiva, mas também muita força própria, por não se conformar com uma situação de vida que lhe era tão insatisfatória.

O encontro analítico: corações em sintonia e ligações de pele Quando conheci Raquel, me surpreendi ao me deparar com uma menina, já com traços de puberdade, expansiva, inteligente, e cheia de vida. Sua aparência física de fato destoava muito da aparência dos pais, e era bastante gorda.

Reclamou dos pais dizendo que eles privilegiavam sua irmã, e logo anunciou que estava decidida: iria para um colégio interno. Achava que desta forma não iria mais brigar com a mãe. Parecia que tinha a fantasia de que era muito destrutiva nas suas relações, e que o colégio interno seria uma forma de contenção.

Os desencontros constantes com os pais adotivos e a informação incorreta sobre a morte da mãe biológica no seu parto contribuíam para corroborar esta fantasia. Raquel lançava mão de um processo defensivo: saía, antes de ser mandada embora, como imaginava que ocorreria.

  1. O medo de ser abandonada novamente estava sempre pairando no ar, e ela apresentava um temor de se ligar de forma mais próxima a outras pessoas e sofrer novamente o sentimento de desamparo próprio de sua condição inicial de vida;

O começo do nosso processo analítico foi pautado pelo temor de Raquel de se ligar a mim e se decepcionar novamente. Insistia em ir para um colégio interno, o que impediria que pudéssemos continuar nos encontrando. Ao mesmo tempo, aos poucos se aproximava, embora com cautela.

  1. Quando eu falava sobre adoção com Raquel, ela se mostrava muito irritada;
  2. Não queria tocar no assunto;
  3. No entanto, embora este assunto fosse proibido de ser mencionado verbalmente, logo percebi o quanto passou a ser vivido por nós no palco que é construído pela relação analítica;
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Raquel invariavelmente chegava às sessões queixando-se de fome, e muitas vezes trazia sacos de doces para as sessões, que comprava na padaria em frente ao meu consultório. Dizia: “Deve ser bom ter uma padaria aí do lado. Começou a pedir para guardar seus doces comigo, na sua caixa lúdica ou na minha geladeira.

Raquel parecia um bebê esfomeado que vinha “mamar” nas nossas sessões. Eu sabia que o que de fato lhe fazia falta era um tipo de contato sintônico, que pudesse lhe proporcionar uma sensação de saciedade poucas vezes alcançada em sua vida.

A “padaria” que lhe fazia falta precisaria ser encontrada na nossa capacidade de nutri-la simbolicamente. Comecei a notar o quanto os doces de que tanto gostava tinham nomes de sentimentos afetuosos: beijinhos, bombocados, suspiros, sonhos. Após um período em que me pareceu que fui “suficientemente testada” quanto à minha confiabilidade, Raquel me pediu que lhe fizesse desenhos com meus dedos em suas costas.

  1. O primeiro desenho por ela solicitado foi um coração;
  2. Eu tinha que fazer diversos desenhos nas suas costas, e ela tentava adivinhar o que era;
  3. Eu tocava suas costas de várias maneiras: mais forte, mais fraco, em círculos, em determinados pontos, e assim por diante;

Raquel ficava extremamente atenta, e parecia ficar extasiada. Eu tomava cuidado para que estes toques não tivessem uma conotação erotizada, pois me parecia que nesse caso estaríamos saindo de limites que precisavam ficar claros. A brincadeira de “toques” passou a fazer parte rotineira de nossas sessões.

  1. Às vezes me era impactante observar aquela menina que parecia querer ter certeza de que poderíamos estar juntas, sem a referência visual, mas por um contato de pele;
  2. Uma das maiores angústias da paciente, que estava sempre presente nas sessões, era o temor de perder quem ela amava;

Sentir meus toques em suas costas parecia dar-lhe uma dimensão concreta de que eu estava de fato ali com ela, que nosso vínculo era real, e era isso que eu lhe falava enquanto estávamos na brincadeira. Numa sessão em que guardou o material que estava utilizando dez minutos antes do fim do nosso horário, angustiada com a separação que iria ocorrer, pediu-me para fazer a brincadeira dos toques.

Nesse dia tinha chegado com uma cesta de quindins. Ao tocar suas costas com os meus dedos, eu ia lhe dizendo que o que ela queria mesmo era preencher o coração que havia dentro dela, como o que eu estava desenhando, de quindins-amor, quindins-afeto, doces-intimidade, e que ela sentia uma fome muito grande de tudo isto.

Raquel, muito atenta, completava as minhas frases, parecia “sorver” minhas palavras, e especialmente os toques. Instalou-se entre nós um clima de muita emoção. Eu pensava na sua separação em relação à mãe biológica, e no quanto lhe faltou poder ter um contato de pele com ela, dando continuidade à sua vivência intrauterina.

Imaginava que a paciente poderia estar procurando estabelecer esse contato através da transferência, como se desta forma pudesse recuperar um objeto perdido, ou então construir algo que não se deu. O jogo de adivinhação parecia se referir a um tipo de comunicação não-verbal que poderia se estabelecer entre nós, própria do bebê pequeno com a mãe, nos seus primeiros tempos de vida.

O coração desenhado poderia estar falando de amor, e estar associado à ideia de reencontro com a mãe biológica perdida. Poderia também indicar a adoção que ela esperava que fosse feita por mim. Afinal, não é usual se chamar o filho adotivo de filho do coração ? Num momento posterior do processo psicanalítico, quando Raquel já estava bastante ligada a mim, tivemos uma sessão que me pareceu estar associada a conteúdos bastante regressivos.

  1. Num certo momento da sessão ela pediu para ir ao banheiro, que fica ao lado da minha sala de atendimento;
  2. Após algum tempo, para minha surpresa, ouvi: “tum, tum, tum”;
  3. Parecia alguém batendo na parede do banheiro que é contígua à minha parede;

Aguardei um pouco, e novamente: “tum, tum”, o som se repetia. Compreendi que Raquel queria me comunicar algo, e resolvi entrar na brincadeira. Bati na minha parede, no mesmo ritmo: “tum, tum”. Tive a impressão de que a minha interlocutora ficou feliz, pois logo bateu: “tum, tum, tum, tum”.

Respondi: “tum, tum, tum, tum”. Ela continuou: “tum. tum. tum. Devolvi: “tum. tum. tum. Assim, por cerca de 15 minutos, ficamos batendo na parede, cada uma de um lado, em diversos ritmos, eu sempre acompanhando o ritmo que ela iniciava.

Eu não podia vê-la, mas parecia-me um momento de beleza mágica, um exercício de sintonia. Assemelhava-se a uma forma de se comunicar à distância, de verificar se podíamos existir uma para a outra sem que estivéssemos fisicamente juntas. Vinha também à minha mente a associação com as batidas de dois corações, separados por uma bolsa amniótica simbólica, a parede que estava entre nós.

  • Assim como na brincadeira dos toques, Raquel parecia estar buscando a mãe biológica perdida, de quem talvez tivesse retido, como uma “lembrança sensorial”, o barulho das batidas do coração;
  • Havia ainda neste bater concatenado outro ponto importante: eu me adaptava às batidas dela;

Era ela quem imprimia o ritmo e a intensidade das batidas, e eu a acompanhava. Instaurava-se entre nós a presença da mãe que é “criada” pelo bebê, conforme descreveu tão bem Winnicott (1971/1975). Nesta sessão, ao voltar para a minha sala, Raquel me perguntou: “você ouviu?”.

Indicava com isso que ainda lhe era muito difícil assimilar e manter a ideia de que era eu a pessoa com quem se comunicava num nível tão primitivo. Parecia-lhe mais um sonho com a mãe perdida ou idealizada, do qual acordava ao me ver concretamente.

A partir dessa sessão, frequentemente Raquel repetia as batidas na parede. Eram momentos de tamanha beleza, que poderiam corresponder ao que Bollas (1992) denominou “momento estético”: um momento de comunicação subjetiva profunda com um objeto. Segundo esse autor, momentos como esses são sentidos como familiares, sagrados, e se sobressaem à coerência cognitiva.

  1. São registrados mais no ser do que na mente, porque expressam experiências de comunicação primordial com o outro, num nível pré-verbal;
  2. Compartilhávamos, Raquel e eu, o sentimento de que estávamos experienciando algo imponente, especial;

Eu havia sido “proibida” por ela de falar explicitamente sobre o tema da adoção, mas quando Raquel voltava para a sala, eu comentava coisas como: “puxa, nós estamos nos comunicando por uma outra língua, a das batidas. é como se pudéssemos estar tão juntas, quase grudadas, mas também separadas por essa nossa parede.

  • sabemos que uma continua existindo para a outra, mesmo que não nos vejamos;
  • parece até uma mãe com seu bebê, quando ele está na sua barriga;
  • O tema da relação mãe-filha, da separação e falhas precoces podia ser tratado baseado na observação da nossa relação, sem que nesse momento tivéssemos que citar diretamente sua história de vida;

Seu passado estava lá, presente no nosso contato, vivo, e modificado pelo que a dupla analítica peculiar estava experimentando. O processo analítico de Raquel possibilitou-lhe uma melhora substancial nos seus sintomas. Seu rendimento escolar melhorou, conseguiu fazer uma dieta e emagreceu vários quilos, as brigas com os pais diminuíram sensivelmente assim como o medo de dormir sozinha.

Nas sessões, tornou-se mais competitiva e menos “boazinha”. Começava a experimentar a minha possibilidade de sobreviver a seus impulsos mais instintivos. A cada passo, no entanto, surgia o temor de que eu não a suportasse ou de que algo acontecesse e resultasse numa separação traumática.

Nestes momentos, Raquel recorria às brincadeiras dos toques e das batidas, como forma de se certificar de que continuávamos juntas. A análise foi posteriormente interrompida de forma abrupta pelos pais, que enalteceram as visíveis melhoras da filha, mas alegaram dificuldades financeiras.

Sentiam-se extremamente enciumados e ameaçados pela ligação que esta última estabeleceu com a analista, como se Raquel tivesse reencontrado a mãe biológica que viria retomar a filha. As fantasias de roubo encontraram terreno fértil para se desenvolver.

Raquel e eu pudemos nos encontrar mais uma vez. Aconteceu afinal o que ela tanto temia: um processo de separação traumático, precoce. Repetia-se entre nós a história de sua vida, parecida ao que viveu com a separação da mãe biológica. Essa vivência também despertava em mim sentimentos, como se a houvessem arrancado de mim, como uma mãe que perde subitamente o seu bebê, num momento em que este necessita primordialmente dela.

  1. Raquel escreveu-me um bilhete, ao encerrarmos nosso trabalho: “Fico chateada por sair, mas não vou esquecer de você e nem você de mim, eu espero”;
  2. Apesar de termos vivido a amputação de uma relação que vinha trazendo muitos frutos, o bilhete de Raquel mostrava que o trabalho feito havia deixado resultados consistentes, que ela levava consigo;

Ela pôde reconhecer que estava chateada com o fim da análise, não precisando recorrer tão maciçamente a defesas maníacas como ocorria anteriormente. Além disso, expressava a esperança de que apesar de estarmos separadas, algo importante se mantinha, e não seria esquecido.

A parede que nos separava tinha se tornado muito mais grossa, mas ela esperava que as nossas batidas ficassem gravadas como objetos bons solidamente internalizados. Recordar, repetir, elaborar e. construir Encontramos no processo analítico realizado com Raquel as observações feitas por Freud (1914/1980), sobre a tendência a repetir na análise os sentimentos, afetos e fantasias, referentes às experiências iniciais que não foram bem integradas.

A paciente pôde utilizar o espaço e a presença da analista para trazer à tona aspectos cruciais de seu psiquismo, como a grande carência de um objeto materno consistente, sua fixação oral, a magnitude de suas angústias de perda e separação das pessoas a quem estava ligada.

Em certos momentos das sessões, por meio da transferência estabelecida, a analista representava para a paciente a mãe biológica perdida, de quem ouvia as batidas concatenadas do coração, ou sentia o toque da pele.

Em outras ocasiões, a analista fazia o papel de uma mãe adotiva que poderia recebê-la com toda a sua continência e carinho. Por vezes, Raquel projetava ainda a figura de uma mãe idealizada, dona de uma grande “padaria” simbólica, fonte inesgotável de leite e satisfação.

Havia ainda um fantasma que se repetia e era identificado com a analista, especialmente ao se aproximar o fim das sessões: a pessoa que a abandonaria e a faria sofrer muito. Mais ainda, quando já havíamos caminhado bastante na análise, surgia ocasionalmente na transferência o personagem de uma mulher com quem se comparava e competia.

Podemos observar que os diversos pontos tratados provinham de diversos extratos da mente, desde os mais primitivos, até os mais evoluídos em termos de desenvolvimento mental, como aqueles que tinham como tema a competição. Todos eles, como um mosaico, representavam algo que se repetia, em busca de elaboração.

Não se baseavam apenas em fatos vividos ou sentimentos reprimidos. Havia as experiências traumáticas, como o abandono da mãe biológica, e as dificuldades com a mãe adotiva. Ao lado delas, se encontravam as fantasias e sentimentos de Raquel, entrelaçados com seus impulsos e desejos peculiares.

As brincadeiras de toques e das batidas na parede podiam ser consideradas rememorações de experiências passadas, abortadas na sua continuidade, e traumáticas. Pareciam se referir a comunicações de uma época em que as palavras e os pensamentos ainda não existiam.

Estavam sendo repetidas na situação analítica, indicando que provavelmente houve um registro mnêmico em algum nível sensorial. O setting analítico permitiu que pudessem ser recuperadas e passassem a ter um significado compartilhado.

A análise de Raquel incluiu momentos de muita regressão, que iam ao encontro das observações de Winnicott (1954-1955/1988a) que afirma que o indivíduo defende seu self contra o fracasso ambiental específico por meio de um congelamento da situação de fracasso.

Há uma convicção inconsciente, que pode se tornar uma esperança consciente, de que em algum momento surgirá a oportunidade de uma experiência que descongelará a situação de fracasso. O indivíduo, por meio da regressão, reexperimentará essa experiência, mas agora em um meio ambiente que fará a adaptação adequada.

Neste caso, a regressão faz parte do processo de cura. Podemos pensar que Raquel conduzia a analista a pontos de congelamento de fracasso ambiental, ao evocar experiências intrauterinas ou de contato primitivo de pele. Esperava poder recuperar uma chave que foi perdida, a da existência de uma mãe com cheiro, cor, som, coração familiares.

Mas havia algo que ia além da rememoração. Ela esperava que algo acontecesse, algo que lhe faltava, que era essencial, mas não sabia o que era. Algo precisava ser construído, e dependia do outro para isto.

Quando brincávamos com os toques na parede, havia um detalhe importante: era Raquel quem imprimia o ritmo e a intensidade deles. Desta forma, ela criava a analista. Era alimentada a ilusão, primordial na construção do psiquismo do bebê, de que ela era a responsável pelo aparecimento e desaparecimento do objeto, de que a existência e ação dele dependiam dela.

É desta forma que o indivíduo saudável se apropria do mundo numa fase primitiva da vida e se sente vivo e criativo. Raquel necessitava de um espaço que lhe permitisse cada vez mais, pelo tempo necessário, viver a experiência de encontrar um objeto que pudesse se adaptar a ela, acompanhando-a no seu ritmo, e na sua intensidade.

Algo que não havia acontecido de forma satisfatória precisava acontecer. O que se repetia neste caso era a sensação de que faltava algo primordial a ser construído. O recordar na análise, descrito por Freud (1914/1980), parece, a meu ver, apoiar-se na concepção de que algo já presente no indivíduo será trazido à tona, algo que ele já é capaz de representar inconscientemente.

  1. Numa contribuição interessante, Roussillon (1999) ressalta que a atividade representativa inconsciente resulta de um processo psíquico: é uma produção que só ocorre se algumas condições intrínsecas e extrínsecas são reunidas;

A psique, mesmo nos seus aspectos inconscientes, depende de condições ambientais. Ela se forma a partir da interação com o objeto externo, como na brincadeira a dois. Para Winnicott (1962/1983), o desenvolvimento emocional ocorre na criança seguindo uma tendência inata para o amadurecimento, mas ele só se dá de fato quando se provê a ela condições ambientais suficientemente boas.

  1. Só dessa forma o bebê desenvolve um sentimento de integração e de existência própria;
  2. Esse é um longo caminho, que permite à criança a construção gradativa do seu self , e a sensação de ser real;
  3. Como afirma Dias (2003), “mesmo quando as estruturas biológicas e cerebrais estão intactas, o ter nascido, simplesmente, não garante que sejam alcançados o sentimento de estar vivo, de sentir-se real e de poder fazer experiências sentidas como reais” (p;

97). É a interação primitiva adequada entre o indivíduo e o ambiente cuidador que permite a construção paulatina de um si-mesmo integrado. Na situação analítica é criado um espaço potencial que permite ao sujeito se desenvolver criativamente ou restabelecer uma “área de brincadeira” comprometida pelo impacto de uma zona traumática.

O analista oferece ao analisando o ambiente suficientemente bom , que permite a esse último retomar o curso crescente de seu desenvolvimento emocional. Ao lado da recordação do que foi reprimido, abre-se espaço para a construção dos aspectos de si mesmo que ficaram como que congelados, à espera de um entorno adequado para este processo vital.

A brincadeira dos toques na costas de Raquel, por exemplo, podia ter o sentido de permitir que ela construísse, com o auxílio da analista, uma estrutura psíquica capaz de conter de forma mais integrada as partes do seu self. Autores como Esther Bick (1968) e Anzieu (1985) apresentam importantes metáforas da construção das primeiras formas de diferenciação do eu, comparando-as à delimitação dada pela pele aos conteúdos internos do corpo.

No estado não-integrado primitivo, a criança necessita encontrar um objeto continente que é aos poucos introjetado, e permite desenvolver uma “pele psíquica”. Ao sentir os toques de meus dedos em sua pele, pele com pele, Raquel parecia estar em busca deste objeto, desta delimitação de si mesma a partir do contato com o outro.

O “recordar, repetir, elaborar e construir” expressa de forma magistral a riqueza da clínica psicanalítica. Ela permite com que o passado, presente e futuro possam ter uma maior integração, ao abrir espaço para a restauração do que já foi vivido mas ficou danificado, e para a construção inesgotável dos elementos que formam um ser humano mais pleno.

  • Referências Anzieu, D;
  • (1985);
  • Le moi-peau;
  • Paris: Dunod;
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(1992). A sombra do objeto: psicanálise do conhecido não-pensado. Rio de Janeiro: Imago. [ Links ] Dias, E. (2003). A teoria do amadurecimento de D. Winnicott. Rio de Janeiro, Imago. [ Links ] Freud, S. (1980). Recordar, repetir e elaborar (Novas recomendações sobre a técnica da Psicanálise II).

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