Qual O Melhor Antidepressivo Para Dor Crônica?

Qual O Melhor Antidepressivo Para Dor Crônica
Qual o melhor antidepressivo para dor crônica? Os antidepressivos tricíclicos (especialmente amitriptilina e nortriptilina) são os que têm melhor eficácia no tratamento das síndromes dolorosas neuropáticas e não-neuropáticas. Quais as principais ferramentas utilizadas no estudo da dor?.

Qual o melhor antidepressivo para dores crônicas?

A dor crônica e a dor aguda diferem significativamente em muitos aspectos e necessitam abordagem distinta. A dor aguda geralmente é nociceptiva (ou seja, resulta de lesão ou inflamação de tecido somático ou visceral), ao passo que a dor crônica pode ser nociceptiva ou neuropática (ou seja, resultante da manutenção neuronal da dor, tanto perifericamente como no sistema nervoso central), embora muitas vezes os mecanismos coexistam.

  1. Uma revisão sistemática evidenciou que a abordagem multidisciplinar do paciente com dor crônica (exercício físico individualizado supervisionado, técnicas de relaxamento, terapia de grupo, sessões semanais de educação para o paciente e sessões de fisioterapia – 2 vezes por semana) é melhor que o tratamento médico tradicional;

Contudo, uma melhor qualidade metodológica de tais estudos é necessária (1). No que diz respeito ao tratamento medicamentoso, a dor nociceptiva geralmente é tratada com AINES ou analgésicos. Já a dor neuropática tipicamente é tratada com medicações que influenciam a ação dos neurotransmissores (ex: antidepressivos e anticonvulsivantes).

O tratamento com opióides é reservado para pacientes com dor neuropática refratária (2)(Grau D). Os antidepressivos tricíclicos (especialmente amitriptilina e nortriptilina) são os que têm melhor eficácia no tratamento das síndromes dolorosas neuropáticas e não-neuropáticas.

(3)(Grau A) Já os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRRs) frequentemente não apresentam bons resultados no tratamento da dor crônica (4,5). A eficácia dos tricíclicos parece ser independente do seu efeito antidepressivo e em pacientes com dor (mas sem depressão) também é benéfico (6).

  1. A melhora ocorre em doses menores do que aquelas empregadas no tratamento da depressão;
  2. Drogas anticonvulsivantes também são efetivas no tratamento da dor neuropática;
  3. A carbamazepina é indicada no tratamento da neuralgia do trigêmeo e também mostrou eficácia modesta no tratamento da neuropatia diabética ou neuralgia pós-herpética (7)(Grau A);

Das drogas de segunda geração, a gabapentina tem a melhor eficácia documentada em pacientes com dor neuropática. Os antidepressivos e os anticonvulsivantes têm eficácia comparável no tratamento da dor neuropática. Uma metanálise mostrou que o número necessário para tratar (NNT) para redução significativa da dor em pacientes com dor neuropática foi de 2,6 para os antidepressivos tricíclicos e 2,5 para a carbamazepina (8)(Grau A).

  1. Outra metanálise não encontrou diferença significativa entre as duas classes de medicamentos;
  2. Visto que a eficácia é similar, a escolha do tratamento inicial deve ser norteada pelo perfil de efeitos colaterais, contra indicações, comorbidades e custo;

(4)(Grau A) A eficácia dos antidepressivos tricíclicos tem sido documentada em uma variedade de síndromes dolorosas não-neuropáticas, ao contrário de outros antidepressivos ou anticonvulsivantes (2). No tratamento da fibromialgia os tricíclicos têm a melhor eficácia documentada, mas o efeito é modesto e tende a diminuir ao longo do tempo (9).

Qual antidepressivo que tira dor?

Inibidores de recaptação de serotonina e norepinefrina (SNRIs). Alguns SNRIs, como venlafaxina (Effexor XR), duloxetina (Cymbalta, Drizalma Sprinkle), milnaciprano (Savella) e desvenlafaxina (Pristiq), podem ajudar a aliviar a dor crônica.

Qual antidepressivo possui maior benefício para tratamento de dor crônica associada à depressão?

Resumo – Introdução: A fibromialgia caracteriza-se por dor crónica generalizada de etiologia desconhecida, fadiga, rigidez, perturbação do sono, depressão, ansiedade, cefaleias, enxaqueca, alteração do trânsito intestinal, dor abdominal e urgência miccional.

Os critérios de diagnóstico, segundo o Colégio Americano de Reumatologia (1990), são dor generalizada associada a hipersensibilidade em pelo menos 11 de 18 pontos músculotendinosos. A sua prevalência é de 2% nos Estados Unidos.

Objectivo: Revisão da evidência científica recente sobre o papel dos antidepressivos na fibromialgia. Fontes de Dados: MedLine/Pubmed e Sites de Medicina Baseada na Evidência. Métodos de Revisão: Pesquisa de meta-análises (MA) e revisões sistemáticas (RS), publicadas entre 2000 e Julho de 2008, em português e inglês, utilizando as palavras-chave fibromyalgia, antidepressants, fibromyalgia treatment.

  • Foi utilizada a taxonomia SORT para apresentação dos resultados;
  • Resultados: Dos 10 artigos encontrados, foram seleccionadas 3 MA e 4 RS;
  • Verificou-se que o efeito dos antidepressivos tricíclicos é moderado, sendo maior no sono e menor na dor e rigidez;

A ciclobenzaprina, um fármaco com uma estrutura tricíclica que actua como miorrelaxante, demonstrou melhorar a função global, sono e, de forma modesta, a dor. Os inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina, duloxetina e milnacipram, são eficazes na dor e qualidade de vida, a venlafaxina parece efi caz em doses altas.

  1. Dos inibidores da recaptação da serotonina, a fluoxetina é eficaz na dor, bem-es tar e depressão, a paroxetina reduz o impacto da doença na qualidade de vida, sem efeito na dor, e o citalopram é ineficaz;

Dos inibidores da monoaminaoxidase, o pirlindol melhora a dor e o bem-es tar, o moclobemide é ineficaz. Conclusões: Os antidepressivos com benefício no tratamento da fibromialgia são amitriptilina, duloxetina, milnacipram (SORT A), fluoxetina, pirlindol (SORT B).

Qual o melhor antidepressivo para dor na coluna?

Antidepressivos – Em alguns casos, o médico pode receitar certos tipos de antidepressivos, em baixas doses, como a amitriptilina ou nortriptilina, por exemplo, que ajudam a aliviar certos tipos de dor lombar crônica. Os antidepressivos devem ser usados somente se indicados pelo médico.

Qual o remédio que é bom para uma dor crônica?

Uso de remédios – Os remédios para dor crônica são indicados de acordo com a intensidade da dor, podendo ser recomendado:

  • Dor leve (grau 1) : analgésicos (dipirona ou paracetamol) e/ ou anti-inflamatórios (ibuprofeno ou cetoprofeno);
  • Dor moderada (grau 2) : analgésicos ou anti-inflamatórios + opióides fracos (tramadol ou codeína);
  • Dor intensa (grau 3) : analgésicos ou anti-inflamatórios + opioides fortes (morfina, metadona, oxicodona ou dentanil transdérmico).

Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de alguns medicamentos auxiliares dependendo do tipo da dor crônica, independentemente do grau de intensidade, como antiepiléticos, antidepressivos e relaxantes musculares, por exemplo.

Como se livrar das dores crônica?

Quais são os antidepressivos mais fortes?

No quesito eficácia, os que alcançaram melhores performances foram a amitriptilina, mirta- zapina, duloxetina, venlafaxine e paroxetina. Na outra ponta, os menos efetivos foram fluoxetina, citalopram, trazodona, clomipramina, desvenlafa- xina e reboxetina (veja mais no quadro ao lado).

Qual é o antidepressivo que tem menos efeito colateral?

Como tratar a dor neuropática?

Tratamento medicamentoso – Anticonvulsivantes e antidepressivos , por exemplo, pregabalina, gabapentina e amitriptilina podem funcionar para reduzir os sintomas na maioria dos casos. Alguns estudos da dor neuropática sugerem o uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides que podem aliviar a dor.

Além disso, algumas pessoas podem necessitar de um analgésico mais forte, como os que contêm morfina e podem ser usados se o paciente não responder a outras terapias. Se outra condição, como a diabetes, estiver envolvida, uma melhor administração daquele distúrbio pode aliviar a dor.

O tratamento eficaz da condição também pode ajudar a prevenir danos nervosos adicionais. Em casos de difícil tratamento, um especialista da dor pode usar um dispositivo invasivo ou implantável para tratar a dor eficazmente. O estímulo elétrico dos nervos envolvidos na dor neuropática podem controlar significativamente os sintomas da dor.

Como amitriptilina age na dor?

ARTIGO ORIGINAL Efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor aguda, em ratos submetidos à ligadura do nervo ciático * * Recebido da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP. Amitriptyline effects on acute pain modulation in rats submitted to sciatic nerve ligation Naira Correia Cusma Pelógia I ; Bruna Gouvea Machado II ; Francielly Capelete Briet de Almeida II ; Elton Constantino III ; Oscar César Pires IV I Farmacêutica, Professora Assistente Doutora de Fisiologia da Universidade de Taubaté.

Taubaté, SP, Brasil II Graduando em Medicina da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP, Brasil III Médico Anestesiologista, Professor Assistente de Anestesiologia da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP, Brasil IV Médico Anestesiologista, Professor Assistente Doutor de Farmacologia da Universidade de Taubaté.

Taubaté, SP, Brasil Endereço para correspondência RESUMO JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Diversos sistemas de receptores estão envolvidos na modulação central da dor: noradrenérgico, serotoninérgico e opioide, entre outros. O objetivo foi estudar os efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor em ratos, após ligadura do nervo ciático.

  1. MÉTODO: Foram estudados 24 ratos Wistar, machos, com peso médio de 300g, distribuídos em 5 grupos: (C) controle sem tratamento (n = 4), (LC) submetidos à ligadura do nervo ciático (n = 5), submetidos à ligadura do nervo ciático e tratados com: (A) amitriptilina (n = 5), (R) com reserpina (n = 5), (AR) com reserpina + amitriptilina;

Todos os animais foram submetidos ao teste da formalina modificado. RESULTADOS: A ligadura do nervo ciático reduziu a resposta nociceptiva. O tratamento com reserpina não interferiu com a resposta álgica na fase 1 do teste da formalina. A amitriptilina restaurou a resposta álgica na fase 1 do teste da formalina, indicando potencialização da nocicepção periférica, e reduziu o número das elevações das patas durante a fase intermediária do teste da formalina, na ausência ou na presença de reserpina, indicando potencialização da resposta da via descendente inibitória da dor.

  • A ligadura do ciático reduziu a resposta na fase 2 do teste da formalina;
  • A amitriptilina restaurou a resposta anteriormente observada;
  • CONCLUSÃO: O tratamento com amitriptilina e reserpina permite sugerir que no modelo de lesão neural periférica, a noradrenalina participa da transdução do sinal lesivo, na modulação da via descendente inibitória da dor e na nocicepção induzida pelo processo inflamatório;

A participação dos outros mediadores da resposta inflamatória e da serotonina deve ser considerada. Descritores: Amitriptilina, Dor, Neuropatia, Reserpina, Teste da formalina. SUMMARY BACKGROUND AND OBJECTIVES: Different receptor systems are involved with central pain modulation: noradrenergic, serotoninergic and opioid among others.

This study aimed at evaluating amitriptyline effects on pain modulation in rats submitted to sciatic nerve ligation. METHOD: The sample was made up of 24 male Wistar rats, mean weight of 300g, which were distributed in 5 groups: (C) control without treatment (n = 4), (LC) submitted to sciatic nerve ligation (n = 5), submitted to sciatic nerve ligation and treated with: (A) amitriptyline (n = 5), (R) reserpine (n = 5), (AR) reserpine + amitriptyline.

All animals were submitted to modified formalin test. RESULTS: Sciatic nerve ligation has decreased nociceptive response. Reserpine administration has not interfered with pain response in formalin test phase 1. Amitriptyline has restored pain response in formalin test phase 1, indicating peripheral nociception potentiation, and has decreased the number of flinches during the intermediate formalin test phase, in the absence or presence of reserpine, indicating potentiation of pain response inhibitory descending way.

Sciatic nerve ligation has decreased response in formalin test phase 2. Amitriptyline has restored previously observed response. CONCLUSION: Treatment with amitriptyline and reserpine allows suggesting that in the peripheral neural injury model, norepinephrine participates in the injuring signal transduction, in the pain inhibitory descending way modulation and in the inflammation-induced nociception.

The participation of other inflammatory response mediators and of serotonin should be considered. Keywords: Amitriptyline, Formalin test, Neuropathy, Pain, Reserpine. INTRODUÇÃO A dor é um fenômeno neurobiológico complexo com uma variedade de fatores contribuindo para os mecanismos centrais e periféricos de sinalização 1.

  1. A modulação nociceptiva descendente é realizada pela liberação de serotonina e noradrenalina na medula espinhal 2;
  2. Antidepressivos seletivos suprimem a dor por diferentes mecanismos e são considerados como componentes essenciais da estratégia para o tratamento de diferentes tipos de dor persistente 3;
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A reserpina diminui a noradrenalina e a serotonina cerebral, aumenta a reação à dor e acelera a tolerância à morfina 4. A amitriptilina é um fármaco antidepressivo que tem sido utilizado para tratamento de dor persistente. Os mecanismos de ação envolvem a ativação da via descendente inibitória da dor pelo aumento da concentração de serotonina e de noradrenalina na fenda sináptica em níveis espinhal e supraespinhal 1.

  • O objetivo deste estudo foi estudar os efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor em ratos, após lesão do nervo ciático;
  • MÉTODO Após aprovação pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da Universidade de Taubaté (UNITAU) (CEEA/UNITAU 003/2009), realizou-se este estudo utilizando 24 ratos Wistar machos, pesando entre 300 e 350 g, fornecidos pelo Biotério da UNITAU e mantidos em número de 5 animais por compartimento no laboratório de Farmacologia da UNITAU, onde permaneceram por pelo menos 15 dias antes do início do experimento, para adequada adaptação, sendo permitido o acesso à ração balanceada comercial e água ad libitum;

A luminosidade foi controlada com ciclo claro-escuro de 12 horas e a temperatura ambiente de 22 ± 3º C (19 a 25º C). Para realização dos procedimentos experimentais foram obedecidas as Normas Éticas da International Association for Study of Pain (IASP), que regulam experimentos realizados em animais (Commitee for Research and Ethical Issues of the IASP, 1983).

Somente animais com aspecto sadio foram utilizados na pesquisa. Os animais foram aleatoriamente divididos em 5 grupos, de acordo com o tratamento farmacológico: grupo controle (C): sem tratamento (n = 4), grupo ligadura do ligadura do ciático (LC): os animais foram submetidos à lesão do ciático (n = 5), grupo reserpina (LC + R): os animais foram submetidos à lesão do ciático e tratados com reserpina 5 mg/kg por via oral (VO) em intervalos de 72h, durante 15 dias (n = 5), grupo amitriptilina (LC + A): os animais foram submetidos à lesão do nervo ciático e tratados diariamente com amitriptilina 5 mg/kg VO, durante 15 dias (n = 5) e grupo amitriptilina + reserpina (LC+AR): os animais foram submetidos à lesão do nervo ciático e tratados com reserpina 5 mg/kg VO em intervalos de 72h, durante 15 dias e com amitriptilina 5 mg/kg VO, diariamente, durante 15 dias (n = 05).

Os animais foram submetidos à ligadura do nervo ciático sob anestesia com pentobarbital sódico (45 mg/kg, intraperitoneal). O nervo ciático direito do rato foi exposto e um segmento de 5-7 mm foi dissecado. Quatro ligaduras com fio de sutura catgut cromado 4-0 tipo C, com intervalos de 1 mm entre si, foram realizadas ao redor do nervo 5.

  1. Após a lesão do nervo ciático e tratamento farmacológico, todos os animais, tratados e controles, foram submetidos ao teste para percepção da sensibilidade (hiperalgesia);
  2. O teste consiste em tocar a região plantar da pata traseira direita (tratada) e esquerda (controle) dos animais com filamentos de espessura padronizada os chamados filamentos de Von Frey 6;

O levantar da pata ao toque indica sensibilidade. A espessura do filamento foi anotada e os resultados analisados estatisticamente. Os animais foram submetidos ao teste de Von Frey 15 dias após a ligadura do ciático. Foram feitas duas medidas, em intervalos de 3 dias.

Depois do teste de Von Frey, todos os animais foram submetidos ao teste da formalina modificado injetada na pata ipsilateral a ligadura do nervo ciático. Teste da formalina modificado Antes do procedimento o animal era colocado em uma câmara de vidro de 30 x 30 x 30 cm, por 15 minutos, para ambientalizar ao local de estudo.

Atrás da câmara foi colocado um espelho, em ângulo de 45º, para facilitar a visualização das elevações de patas em todas as direções. O teste consistiu na injeção de 50 µL da solução de formalina, na concentração de 2% no dorso da pata traseira dos ratos produzindo resposta nociceptiva bifásica.

A primeira fase foi observada durante os primeiros 5 minutos após a injeção e a segunda fase, iniciada após 15 minutos e se estendeu por 40 a 50 minutos. A primeira fase foi interpretada como sendo devida à ativação aguda dos nociceptores periféricos, enquanto a segunda como resultante da resposta inflamatória aguda ou pela sensibilização central.

O período entre as duas fases da resposta nociceptiva identificado como fase de inatividade, a qual é atribuída o envolvimento de um mecanismo antinociceptivo central 7. Todas as elevações da pata não relacionadas à marcha foram consideradas, independente do tempo que a mesma permaneceu elevada. Adotou-se o nível de significância menor que 5% (p < 0,05). RESULTADOS Não houve alteração do limiar de dor nos animais de todos os grupos, com os testes feitos com os filamentos de Von Frey, realizados a cada três dias, durante 15 dias. A ligadura do ciático reduziu o número de elevações da pata direita dos animais tratados em comparação com os animais controles, durante os cinco primeiros minutos do teste da formalina (Fase I - nocicepção periférica).

A contagem foi realizada continuamente durante 60 minutos e a cada 5 minutos era anotado o número parcial de elevações. Para análise estatística dos resultados obtidos, foi utilizada a Análise de Variância para amostras independentes, seguida do teste de Bonferroni.

O tratamento com amitriptilina eliminou esta diferença. Foi observada redução do número de elevações da pata em comparação com os controles nos animais reserpinados. O tratamento com amitriptilina nos animais reserpinados também eliminou a diferença anteriormente observada ( Gráfico 1 ).

Do sexto ao 20º minutos (fase de inatividade ou intermediária – mecanismo nociceptivo central) do teste da formalina, a ligadura do ciático aumentou o número de elevações de pata nos animais testados em comparação com os animais controle.

O tratamento com amitriptilina eliminou esta diferença. A reserpina não interferiu com a via descendente inibitória da dor, mas, o tratamento com reserpina e amitriptilina diminuiu o número de elevações de pata da fase 2 do teste da formalina ( Gráfico 2 ).

  1. A ligadura do ciático reduziu o número de elevações da pata nos animais na fase 2 (resposta inflamatória ou sensibilização central) do teste da formalina;
  2. O tratamento com amitriptilina restaurou a resposta;

A administração de reserpina reduziu o número de elevações das patas. Não se observou aumento das elevações da pata após a reserpina + amitriptilina ( Gráfico 3 ). DISCUSSÃO A dor neuropática é caracterizada por alterações sensoriais como sensação desagradável anormal, aumento da resposta ao estímulo doloroso, ou dor em resposta a um estímulo que normalmente não causaria dor, respectivamente disestesia, hiperalgesia e alodínia 8.

A ligadura do nervo ciático deveria ter provocado alterações no comportamento dos animais, tais como defesa, lambidas excessivas e evitar apoiar pata lesada, além de hiperalgesia mecânica e térmica, desenvolvidas após a segunda semana da cirurgia 9.

O estímulo lesivo é conduzido da periferia para o sistema nervoso central por meio de fibras mielinizadas e amielínicas de diferentes espessuras. Cada tipo de fibra está relacionada a condução de sensações específicas, localizadas ou difusas 10. A avaliação da hiperalgesia ou alodínia mecânica, no presente estudo, foi testada com os filamentos de Von Frey.

Como não foi observada resposta nos animais, é possível supor que houve lesão no ciático decorrente do procedimento cirúrgico, que prejudicou a sensibilidade mecânica. Os animais foram então submetidos ao teste da formalina, que avalia a dor após exposição à agente químico.

Os animais submetidos à ligadura do ciático apresentaram menor resposta em comparação com os controles na primeira fase do teste da formalina. A primeira fase está relacionada com a nocicepção 7. O tratamento com reserpina manteve esta resposta. Estes resultados estão de acordo com os apresentados em trabalho anterior, em que animais intactos, sem procedimento cirúrgico, tratados com reserpina, apresentaram padrão de resposta inalterado na primeira fase do teste, o que permitiu inferir que o fármaco não interfere com a transdução do sinal doloroso 11.

  • Normalmente, neurônios sensoriais dos gânglios dorsais da medula espinhal não são inervados pelas fibras simpáticas;
  • Inervação anormal pelas fibras simpáticas após lesão do ciático foi descrita, e estudos subsequentes demonstraram este fato em vários modelos de dor experimental e pode ocorrer se há inflamação ou compressão local do corno posterior da medula 12;

O aumento da inervação simpática poderia explicar porque o tratamento com amitriptilina restaurou a resposta à formalina, aumentando-a, na presença ou ausência de reserpina, nos animais submetidos à ligadura do ciático. A sensibilização dos nociceptores depende do tipo da fibra, da intensidade do estímulo e dos mediadores envolvidos 10.

  • A ligadura do ciático poderia ter causado aumento da inervação simpática, que poderia ser detectada com o aumento na concentração de noradrenalina, pelo tratamento com amitriptilina;
  • A fase intermediária do teste da formalina está relacionada com a inibição central da dor 7;

A reserpina também não interfere com a fase intermediária do teste da formalina 11. A análise da fase intermediária do teste da formalina, que avalia a via descendente inibitória da dor, evidencia que a ligadura do ciático aumentou a resposta dolorosa.

Diversos autores têm demonstrado que o estímulo lesivo contínuo aumenta a liberação de mediadores no sistema nervoso central, dentre eles a neurotensina 13 ou altera receptores NMDA 14. O estímulo álgico crônico, devido à ligadura do ciático, poderia ter alterado a expressão destes mediadores e receptores.

Além disto, a sensibilização de receptores envolvidos na transdução do sinal doloroso ou o aumento da atividade de enzimas como a óxido nítrico sintase 15 não pode ser descartada. A fase 2 do teste da formalina analisa a resposta álgica, potencializada pelos mediadores da resposta inflamatória.

  1. A ligadura do ciático reduziu esta resposta, o que está de acordo com a hipótese de que houve alteração da transdução do sinal doloroso como anteriormente analisado;
  2. O tratamento com amitriptilina aumentou o número de elevações da pata, porém após a reserpina, ocorreu redução do número de elevações da pata, que não foi restaurado pela amitriptilina;

O antidepressivo tricíclico amitriptilina, apresentou efeitos anti-inflamatórios sistêmicos e centrais em modelo de dor induzida pela aplicação de carragenina, principalmente pela inibição da migração de polimorfonucleares e da liberação de interleucina-1 e fator de necrose tumoral alfa no local da inflamação 16.

Apesar do teste da formalina também provocar lesão tecidual e ativação da resposta inflamatória, a ligadura do ciático parece envolver mecanismos de plasticidade neuronal, que aumentam a sensibilidade dos nociceptores aos mediadores da resposta inflamatória aguda.

Portanto, a ligadura do ciático reduziu a resposta nociceptiva. O tratamento com reserpina não interferiu com a resposta álgica neste modelo experimental, na fase 1 do teste da formalina. A administração de amitriptilina restaurou a resposta álgica na fase 1 do teste da formalina, indicando potencialização da nocicepção periférica.

A administração de amitriptilina reduziu o número das elevações das patas, observada durante a fase intermediária do teste da formalina, na ausência ou na presença de reserpina, indicando potencialização da resposta da via descendente inibitória da dor.

A ligadura do ciático reduziu a resposta na fase 2 do teste da formalina. A amitriptilina restaurou a resposta anteriormente observada. CONCLUSÃO O tratamento com amitriptilina e reserpina permite sugerir que, no modelo de lesão neural periférica, a noradrenalina participa da transdução do sinal lesivo, na modulação da via descendente inibitória da dor e na nocicepção induzida pelo processo inflamatório.

  • Endereço para correspondência: Naira Correia Cusma Pelógia Rua Ipanema, 100 – Sapé I 12294-015 Caçapava, SP E-mail:
  • Apresentado em 16 de maio de 2011. Aceito para publicação em 02 de setembro de 2011.

  • * Recebido da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP.
  • Endereço para correspondência: Naira Correia Cusma Pelógia Rua Ipanema, 100 – Sapé I 12294-015 Caçapava, SP E-mail: cusmapelogia@gmail. com * Recebido da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP.

    Qual o remédio mais novo para fibromialgia?

    O Laboratório Teuto lançou neste mês uma apresentação genérica da pregabalina, medicamento que atua como ansiolítico, anticonvulsivante e no controle de fibromialgia. Segundo a empresa farmacêutica, esse é o mais novo produto do portfólio da companhia, entre os medicamentos controlados.

    O fármaco, de uso adulto, é indicado no tratamento da dor neuropática (dor devido à lesão e/ou mau funcionamento dos nervos) e como terapia adjunta das crises epiléticas parciais (convulsões). O medicamento também é usado no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e controle de fibromialgia, que é caracterizada por dor crônica em várias partes do corpo, cansaço e alterações do sono.

    Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente Para o farmacêutico e supervisor de mercado do Teuto, Thiago Lobo Matos, o produto é mais uma opção para inúmeros pacientes em território nacional: “O Laboratório Teuto lança no canal farma a pregabalina, medicamento genérico de prescrição médica e retenção de receita, em um mercado bastante atrativo, no qual são comercializadas anualmente mais de 7 milhões de caixas de pregabalina no Brasil, com crescimento superior a 25% anualmente nos últimos 4 anos e com forte potencial de crescimento para os próximos anos”, destacou ele, em informação repassada à equipe de jornalismo do Portal do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

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    • br/pos-graduacao) Disponibilidade no mercado Segundo o Teuto, o medicamento está disponível em duas apresentações, com concentração de 75 e 150 miligramas, ambas com 30 cápsulas;
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    Contraindicação Vale ressaltar que o laboratório também alerta aos profissionais de saúde e aos consumidores que a “pregabalina é contraindicada para pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula, gestantes e mulheres que estejam amamentando”.

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    Como tomar amitriptilina para dor?

    Dor neuropática – As doses da amitriptilina normalmente recomendadas para o tratamento da dor neuropática são:

    • Adultos: a dose inicial é de 10 a 25 mg por dia antes de dormir. A dose de manutenção recomendada é de 25 a 75 mg por dia.

    O efeito analgésico só é observado ao fim de 2 a 4 semanas após o início do tratamento.

    Qual o remédio mais forte para dor na coluna?

    Antidepressivos – Os antidepressivos podem ser indicados nos caso de dor crônica na coluna, já que possuem um efeito positivo diante da dor, sendo principalmente recomendado em caso de lombalgia crônica. Os antidepressivos que têm sido utilizados para a aliviar a dor na coluna são os inibidores da recaptação de noradrenalina e serotonina e os antidepressivos tricíclicos.

    Qual é o relaxante muscular mais forte?

    Relaxantes musculares mais comuns – Certamente você conhece pelo menos um medicamento desse tipo, provavelmente o famoso Dorflex (que é na verdade o nome da marca). Abaixo listamos os relaxantes musculares mais conhecidos e apresentamos a composição de cada um deles. Carisoprodol (Mioflex) Sua composição possui além do relaxante muscular Carisoprodol, o analgésico Paracetamol e um anti-inflamatório , o Fenilbutazona.

    Geralmente é indicada uma dose a cada 8 horas. Esse medicamento é comumente prescrito para alívio de dores musculares intensas como no caso da artrite reumatoide e da osteoporose. Ciclobenzaprina (Miosan) O Miosan é muito indicado para casos de lombalgias e torsicolo, embora possa também ser usado para doenças mais graves como a fibromialgia.

    O remédio deve ser tomado entre 2 a 4 vezes por dia, o que dependerá muito da indicação do médico. Orfenadrina (Dorflex, Ana-Flex) O famoso Dorflex possui orfenadrina em sua composição, além do analgésico Dipirona Sódica. Geralmente, é indicado para contraturas musculares e cefaleia tensional.

    Esse medicamento pode ser tomado de 3 a 4 vezes por dia, sempre conforme prescrição. O Ana-Flex tem uma composição similar ao Dorflex, e por isso, normalmente é indicado para as mesmas situações. Tizanidina (Sirdalud) A tizanidina age principalmente na medula espinhal, reduzindo o tônus muscular.

    Por isso, é muito indicada para espasmos musculares, cãibras, transtornos neurodegenerativos,  lesão medular, dentre outros casos. Embora sejam alguns dos medicamentos mais consumidos entre os brasileiros, especialmente por meio de auto-medicação, tais remédios devem ser utilizados apenas sob prescrição médica.

    Como chama a injeção para dor na coluna?

    Injeção para dor na coluna – Nos casos em que as dores na coluna atingem níveis extremos e a medicação, fisioterapia e exercícios não ofereceram alívio, medidas mais extremas como as injeções para alívio e bloqueio da dor devem ser tomadas sempre seguindo a recomendação médica. Entre elas, destaque para:

    • Injeção Epidural: de efeito rápido, essa infiltração adormece as raízes de alguns nervos específicos da coluna vertebral. A infiltração epidural de corticóides é usada para muitos tipos de dor lombar e dor na perna causadas pela inflamação do nervo ciático ou hérnia de disco. O objetivo da injeção epidural é aliviar a dor e, ás vezes, algumas infiltrações são suficientes.
    • Injeção de Faceta: este procedimento consiste em puncionar a articulação facetaria (ou pontos muito próximos da articulação) com uma agulha e aplicar medicações anestésicas e anti-inflamatórias no local. Se a dor cessar, o problema é realmente na faceta, mas se persistir, é o problema é no disco vertebral. O objetivo da infiltração facetaria é aliviar temporariamente os sintomas, mas em alguns casos, o alívio pode ser bastante duradouro.
    • Rizotomia facetária: indicada para as dores lombares e cervicais, esse procedimento minimamente invasivo é realizado sob anestesia local com uma cânula que atinge cuidadosamente os pontos responsáveis pela dor. Em seguida, é realizado uma lesão por radiofrequência desses ramos para que sua comunicação com o cérebro seja interrompida, evitando os sinais das dores e os estímulos dolorosos.
    • Bloqueio da raiz nervosa escolhida, da articulação facetária ou da articulação sacroilíaca: trata-se de um tipo especial de infiltração na coluna realizado pelo médico especialista em coluna para amenizar a dor neuropática causada por uma inflamação ou compressão nos nervos da coluna. O bloqueio do nervo é realizado mediante uma internação de um dia e dura apenas 20 minutos. Entre seus resultados, está a melhora completa da dor ou a melhora contínua (aos poucos). Em caso de ressurgimento da inflamação após poucos dias, a solução pode ser cirurgia na coluna.

    Como amitriptilina age na dor?

    ARTIGO ORIGINAL Efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor aguda, em ratos submetidos à ligadura do nervo ciático * * Recebido da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP. Amitriptyline effects on acute pain modulation in rats submitted to sciatic nerve ligation Naira Correia Cusma Pelógia I ; Bruna Gouvea Machado II ; Francielly Capelete Briet de Almeida II ; Elton Constantino III ; Oscar César Pires IV I Farmacêutica, Professora Assistente Doutora de Fisiologia da Universidade de Taubaté.

    Taubaté, SP, Brasil II Graduando em Medicina da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP, Brasil III Médico Anestesiologista, Professor Assistente de Anestesiologia da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP, Brasil IV Médico Anestesiologista, Professor Assistente Doutor de Farmacologia da Universidade de Taubaté.

    Taubaté, SP, Brasil Endereço para correspondência RESUMO JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Diversos sistemas de receptores estão envolvidos na modulação central da dor: noradrenérgico, serotoninérgico e opioide, entre outros. O objetivo foi estudar os efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor em ratos, após ligadura do nervo ciático.

    • MÉTODO: Foram estudados 24 ratos Wistar, machos, com peso médio de 300g, distribuídos em 5 grupos: (C) controle sem tratamento (n = 4), (LC) submetidos à ligadura do nervo ciático (n = 5), submetidos à ligadura do nervo ciático e tratados com: (A) amitriptilina (n = 5), (R) com reserpina (n = 5), (AR) com reserpina + amitriptilina;

    Todos os animais foram submetidos ao teste da formalina modificado. RESULTADOS: A ligadura do nervo ciático reduziu a resposta nociceptiva. O tratamento com reserpina não interferiu com a resposta álgica na fase 1 do teste da formalina. A amitriptilina restaurou a resposta álgica na fase 1 do teste da formalina, indicando potencialização da nocicepção periférica, e reduziu o número das elevações das patas durante a fase intermediária do teste da formalina, na ausência ou na presença de reserpina, indicando potencialização da resposta da via descendente inibitória da dor.

    A ligadura do ciático reduziu a resposta na fase 2 do teste da formalina. A amitriptilina restaurou a resposta anteriormente observada. CONCLUSÃO: O tratamento com amitriptilina e reserpina permite sugerir que no modelo de lesão neural periférica, a noradrenalina participa da transdução do sinal lesivo, na modulação da via descendente inibitória da dor e na nocicepção induzida pelo processo inflamatório.

    A participação dos outros mediadores da resposta inflamatória e da serotonina deve ser considerada. Descritores: Amitriptilina, Dor, Neuropatia, Reserpina, Teste da formalina. SUMMARY BACKGROUND AND OBJECTIVES: Different receptor systems are involved with central pain modulation: noradrenergic, serotoninergic and opioid among others.

    This study aimed at evaluating amitriptyline effects on pain modulation in rats submitted to sciatic nerve ligation. METHOD: The sample was made up of 24 male Wistar rats, mean weight of 300g, which were distributed in 5 groups: (C) control without treatment (n = 4), (LC) submitted to sciatic nerve ligation (n = 5), submitted to sciatic nerve ligation and treated with: (A) amitriptyline (n = 5), (R) reserpine (n = 5), (AR) reserpine + amitriptyline.

    All animals were submitted to modified formalin test. RESULTS: Sciatic nerve ligation has decreased nociceptive response. Reserpine administration has not interfered with pain response in formalin test phase 1. Amitriptyline has restored pain response in formalin test phase 1, indicating peripheral nociception potentiation, and has decreased the number of flinches during the intermediate formalin test phase, in the absence or presence of reserpine, indicating potentiation of pain response inhibitory descending way.

    Sciatic nerve ligation has decreased response in formalin test phase 2. Amitriptyline has restored previously observed response. CONCLUSION: Treatment with amitriptyline and reserpine allows suggesting that in the peripheral neural injury model, norepinephrine participates in the injuring signal transduction, in the pain inhibitory descending way modulation and in the inflammation-induced nociception.

    The participation of other inflammatory response mediators and of serotonin should be considered. Keywords: Amitriptyline, Formalin test, Neuropathy, Pain, Reserpine. INTRODUÇÃO A dor é um fenômeno neurobiológico complexo com uma variedade de fatores contribuindo para os mecanismos centrais e periféricos de sinalização 1.

    A modulação nociceptiva descendente é realizada pela liberação de serotonina e noradrenalina na medula espinhal 2. Antidepressivos seletivos suprimem a dor por diferentes mecanismos e são considerados como componentes essenciais da estratégia para o tratamento de diferentes tipos de dor persistente 3.

    A reserpina diminui a noradrenalina e a serotonina cerebral, aumenta a reação à dor e acelera a tolerância à morfina 4. A amitriptilina é um fármaco antidepressivo que tem sido utilizado para tratamento de dor persistente. Os mecanismos de ação envolvem a ativação da via descendente inibitória da dor pelo aumento da concentração de serotonina e de noradrenalina na fenda sináptica em níveis espinhal e supraespinhal 1.

    • O objetivo deste estudo foi estudar os efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor em ratos, após lesão do nervo ciático;
    • MÉTODO Após aprovação pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da Universidade de Taubaté (UNITAU) (CEEA/UNITAU 003/2009), realizou-se este estudo utilizando 24 ratos Wistar machos, pesando entre 300 e 350 g, fornecidos pelo Biotério da UNITAU e mantidos em número de 5 animais por compartimento no laboratório de Farmacologia da UNITAU, onde permaneceram por pelo menos 15 dias antes do início do experimento, para adequada adaptação, sendo permitido o acesso à ração balanceada comercial e água ad libitum;

    A luminosidade foi controlada com ciclo claro-escuro de 12 horas e a temperatura ambiente de 22 ± 3º C (19 a 25º C). Para realização dos procedimentos experimentais foram obedecidas as Normas Éticas da International Association for Study of Pain (IASP), que regulam experimentos realizados em animais (Commitee for Research and Ethical Issues of the IASP, 1983).

    Somente animais com aspecto sadio foram utilizados na pesquisa. Os animais foram aleatoriamente divididos em 5 grupos, de acordo com o tratamento farmacológico: grupo controle (C): sem tratamento (n = 4), grupo ligadura do ligadura do ciático (LC): os animais foram submetidos à lesão do ciático (n = 5), grupo reserpina (LC + R): os animais foram submetidos à lesão do ciático e tratados com reserpina 5 mg/kg por via oral (VO) em intervalos de 72h, durante 15 dias (n = 5), grupo amitriptilina (LC + A): os animais foram submetidos à lesão do nervo ciático e tratados diariamente com amitriptilina 5 mg/kg VO, durante 15 dias (n = 5) e grupo amitriptilina + reserpina (LC+AR): os animais foram submetidos à lesão do nervo ciático e tratados com reserpina 5 mg/kg VO em intervalos de 72h, durante 15 dias e com amitriptilina 5 mg/kg VO, diariamente, durante 15 dias (n = 05).

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    Os animais foram submetidos à ligadura do nervo ciático sob anestesia com pentobarbital sódico (45 mg/kg, intraperitoneal). O nervo ciático direito do rato foi exposto e um segmento de 5-7 mm foi dissecado. Quatro ligaduras com fio de sutura catgut cromado 4-0 tipo C, com intervalos de 1 mm entre si, foram realizadas ao redor do nervo 5.

    • Após a lesão do nervo ciático e tratamento farmacológico, todos os animais, tratados e controles, foram submetidos ao teste para percepção da sensibilidade (hiperalgesia);
    • O teste consiste em tocar a região plantar da pata traseira direita (tratada) e esquerda (controle) dos animais com filamentos de espessura padronizada os chamados filamentos de Von Frey 6;

    O levantar da pata ao toque indica sensibilidade. A espessura do filamento foi anotada e os resultados analisados estatisticamente. Os animais foram submetidos ao teste de Von Frey 15 dias após a ligadura do ciático. Foram feitas duas medidas, em intervalos de 3 dias.

    • Depois do teste de Von Frey, todos os animais foram submetidos ao teste da formalina modificado injetada na pata ipsilateral a ligadura do nervo ciático;
    • Teste da formalina modificado Antes do procedimento o animal era colocado em uma câmara de vidro de 30 x 30 x 30 cm, por 15 minutos, para ambientalizar ao local de estudo;

    Atrás da câmara foi colocado um espelho, em ângulo de 45º, para facilitar a visualização das elevações de patas em todas as direções. O teste consistiu na injeção de 50 µL da solução de formalina, na concentração de 2% no dorso da pata traseira dos ratos produzindo resposta nociceptiva bifásica.

    A primeira fase foi observada durante os primeiros 5 minutos após a injeção e a segunda fase, iniciada após 15 minutos e se estendeu por 40 a 50 minutos. A primeira fase foi interpretada como sendo devida à ativação aguda dos nociceptores periféricos, enquanto a segunda como resultante da resposta inflamatória aguda ou pela sensibilização central.

    O período entre as duas fases da resposta nociceptiva identificado como fase de inatividade, a qual é atribuída o envolvimento de um mecanismo antinociceptivo central 7. Todas as elevações da pata não relacionadas à marcha foram consideradas, independente do tempo que a mesma permaneceu elevada. Adotou-se o nível de significância menor que 5% (p < 0,05). RESULTADOS Não houve alteração do limiar de dor nos animais de todos os grupos, com os testes feitos com os filamentos de Von Frey, realizados a cada três dias, durante 15 dias. A ligadura do ciático reduziu o número de elevações da pata direita dos animais tratados em comparação com os animais controles, durante os cinco primeiros minutos do teste da formalina (Fase I - nocicepção periférica).

    • A contagem foi realizada continuamente durante 60 minutos e a cada 5 minutos era anotado o número parcial de elevações;
    • Para análise estatística dos resultados obtidos, foi utilizada a Análise de Variância para amostras independentes, seguida do teste de Bonferroni;

    O tratamento com amitriptilina eliminou esta diferença. Foi observada redução do número de elevações da pata em comparação com os controles nos animais reserpinados. O tratamento com amitriptilina nos animais reserpinados também eliminou a diferença anteriormente observada ( Gráfico 1 ).

    Do sexto ao 20º minutos (fase de inatividade ou intermediária – mecanismo nociceptivo central) do teste da formalina, a ligadura do ciático aumentou o número de elevações de pata nos animais testados em comparação com os animais controle.

    O tratamento com amitriptilina eliminou esta diferença. A reserpina não interferiu com a via descendente inibitória da dor, mas, o tratamento com reserpina e amitriptilina diminuiu o número de elevações de pata da fase 2 do teste da formalina ( Gráfico 2 ).

    • A ligadura do ciático reduziu o número de elevações da pata nos animais na fase 2 (resposta inflamatória ou sensibilização central) do teste da formalina;
    • O tratamento com amitriptilina restaurou a resposta;

    A administração de reserpina reduziu o número de elevações das patas. Não se observou aumento das elevações da pata após a reserpina + amitriptilina ( Gráfico 3 ). DISCUSSÃO A dor neuropática é caracterizada por alterações sensoriais como sensação desagradável anormal, aumento da resposta ao estímulo doloroso, ou dor em resposta a um estímulo que normalmente não causaria dor, respectivamente disestesia, hiperalgesia e alodínia 8.

    1. A ligadura do nervo ciático deveria ter provocado alterações no comportamento dos animais, tais como defesa, lambidas excessivas e evitar apoiar pata lesada, além de hiperalgesia mecânica e térmica, desenvolvidas após a segunda semana da cirurgia 9;

    O estímulo lesivo é conduzido da periferia para o sistema nervoso central por meio de fibras mielinizadas e amielínicas de diferentes espessuras. Cada tipo de fibra está relacionada a condução de sensações específicas, localizadas ou difusas 10. A avaliação da hiperalgesia ou alodínia mecânica, no presente estudo, foi testada com os filamentos de Von Frey.

    1. Como não foi observada resposta nos animais, é possível supor que houve lesão no ciático decorrente do procedimento cirúrgico, que prejudicou a sensibilidade mecânica;
    2. Os animais foram então submetidos ao teste da formalina, que avalia a dor após exposição à agente químico;

    Os animais submetidos à ligadura do ciático apresentaram menor resposta em comparação com os controles na primeira fase do teste da formalina. A primeira fase está relacionada com a nocicepção 7. O tratamento com reserpina manteve esta resposta. Estes resultados estão de acordo com os apresentados em trabalho anterior, em que animais intactos, sem procedimento cirúrgico, tratados com reserpina, apresentaram padrão de resposta inalterado na primeira fase do teste, o que permitiu inferir que o fármaco não interfere com a transdução do sinal doloroso 11.

    Normalmente, neurônios sensoriais dos gânglios dorsais da medula espinhal não são inervados pelas fibras simpáticas. Inervação anormal pelas fibras simpáticas após lesão do ciático foi descrita, e estudos subsequentes demonstraram este fato em vários modelos de dor experimental e pode ocorrer se há inflamação ou compressão local do corno posterior da medula 12.

    O aumento da inervação simpática poderia explicar porque o tratamento com amitriptilina restaurou a resposta à formalina, aumentando-a, na presença ou ausência de reserpina, nos animais submetidos à ligadura do ciático. A sensibilização dos nociceptores depende do tipo da fibra, da intensidade do estímulo e dos mediadores envolvidos 10.

    1. A ligadura do ciático poderia ter causado aumento da inervação simpática, que poderia ser detectada com o aumento na concentração de noradrenalina, pelo tratamento com amitriptilina;
    2. A fase intermediária do teste da formalina está relacionada com a inibição central da dor 7;

    A reserpina também não interfere com a fase intermediária do teste da formalina 11. A análise da fase intermediária do teste da formalina, que avalia a via descendente inibitória da dor, evidencia que a ligadura do ciático aumentou a resposta dolorosa.

    Diversos autores têm demonstrado que o estímulo lesivo contínuo aumenta a liberação de mediadores no sistema nervoso central, dentre eles a neurotensina 13 ou altera receptores NMDA 14. O estímulo álgico crônico, devido à ligadura do ciático, poderia ter alterado a expressão destes mediadores e receptores.

    Além disto, a sensibilização de receptores envolvidos na transdução do sinal doloroso ou o aumento da atividade de enzimas como a óxido nítrico sintase 15 não pode ser descartada. A fase 2 do teste da formalina analisa a resposta álgica, potencializada pelos mediadores da resposta inflamatória.

    • A ligadura do ciático reduziu esta resposta, o que está de acordo com a hipótese de que houve alteração da transdução do sinal doloroso como anteriormente analisado;
    • O tratamento com amitriptilina aumentou o número de elevações da pata, porém após a reserpina, ocorreu redução do número de elevações da pata, que não foi restaurado pela amitriptilina;

    O antidepressivo tricíclico amitriptilina, apresentou efeitos anti-inflamatórios sistêmicos e centrais em modelo de dor induzida pela aplicação de carragenina, principalmente pela inibição da migração de polimorfonucleares e da liberação de interleucina-1 e fator de necrose tumoral alfa no local da inflamação 16.

    • Apesar do teste da formalina também provocar lesão tecidual e ativação da resposta inflamatória, a ligadura do ciático parece envolver mecanismos de plasticidade neuronal, que aumentam a sensibilidade dos nociceptores aos mediadores da resposta inflamatória aguda;

    Portanto, a ligadura do ciático reduziu a resposta nociceptiva. O tratamento com reserpina não interferiu com a resposta álgica neste modelo experimental, na fase 1 do teste da formalina. A administração de amitriptilina restaurou a resposta álgica na fase 1 do teste da formalina, indicando potencialização da nocicepção periférica.

    1. A administração de amitriptilina reduziu o número das elevações das patas, observada durante a fase intermediária do teste da formalina, na ausência ou na presença de reserpina, indicando potencialização da resposta da via descendente inibitória da dor;

    A ligadura do ciático reduziu a resposta na fase 2 do teste da formalina. A amitriptilina restaurou a resposta anteriormente observada. CONCLUSÃO O tratamento com amitriptilina e reserpina permite sugerir que, no modelo de lesão neural periférica, a noradrenalina participa da transdução do sinal lesivo, na modulação da via descendente inibitória da dor e na nocicepção induzida pelo processo inflamatório.

  • Endereço para correspondência: Naira Correia Cusma Pelógia Rua Ipanema, 100 – Sapé I 12294-015 Caçapava, SP E-mail:
  • Apresentado em 16 de maio de 2011. Aceito para publicação em 02 de setembro de 2011.

  • * Recebido da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP.
  • Endereço para correspondência: Naira Correia Cusma Pelógia Rua Ipanema, 100 – Sapé I 12294-015 Caçapava, SP E-mail: cusmapelogia@gmail. com * Recebido da Universidade de Taubaté. Taubaté, SP.

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    • O fármaco, de uso adulto, é indicado no tratamento da dor neuropática (dor devido à lesão e/ou mau funcionamento dos nervos) e como terapia adjunta das crises epiléticas parciais (convulsões);
    • O medicamento também é usado no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e controle de fibromialgia, que é caracterizada por dor crônica em várias partes do corpo, cansaço e alterações do sono;

    Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente Para o farmacêutico e supervisor de mercado do Teuto, Thiago Lobo Matos, o produto é mais uma opção para inúmeros pacientes em território nacional: “O Laboratório Teuto lança no canal farma a pregabalina, medicamento genérico de prescrição médica e retenção de receita, em um mercado bastante atrativo, no qual são comercializadas anualmente mais de 7 milhões de caixas de pregabalina no Brasil, com crescimento superior a 25% anualmente nos últimos 4 anos e com forte potencial de crescimento para os próximos anos”, destacou ele, em informação repassada à equipe de jornalismo do Portal do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico.

    publicidade inserida(https://www. ictq. com. br/pos-graduacao) Disponibilidade no mercado Segundo o Teuto, o medicamento está disponível em duas apresentações, com concentração de 75 e 150 miligramas, ambas com 30 cápsulas.

    Contraindicação Vale ressaltar que o laboratório também alerta aos profissionais de saúde e aos consumidores que a “pregabalina é contraindicada para pacientes com hipersensibilidade aos componentes da fórmula, gestantes e mulheres que estejam amamentando”.

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